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ITABUNA: ENTENDA O VERDE DA MORTE EM NOSSO RIO

Faz anos que pesquisadores, como eu, explicam que o problema é intermunicipal.

Entender a cor verde (e o forte odor) de nosso rio Cachoeira não é difícil: é resultado de haver mais esgoto do que água. Isso mesmo. Nesse cálculo simples, percebemos que o rio está diminuindo sua força natural e os esgotos continuam sendo lançados de forma contínua na água. O resultado disso é a população submetida um odor forte nos bairros ribeirinhos e no Centro, comerciantes incomodados, fauna e flora do rio ameaçadas e um lindo (e triste) verde na paisagem da cidade. O que causa essa cor verde no rio é um processo chamado eutrofização (consulte aqui). Desde a época de meu Mestrado, em que estudei a mistura das águas dos rios Colônia, Salgado e Cachoeira, eu e demais pesquisadores da área de Recursos Hídricos apontávamos que o problema do rio é um problema de Bacia Hidrográfica. Falar em recuperar o rio Cachoeira hoje é precisar do esforço de 11 municípios.

Bacia Hidrográfica do rio Cachoeira. Destaque para a posição da Barragem de Itapé, a qual regula a vazão do rio Cachoeira.

O cenário é o seguinte: em todos esses rios da imagem destacada acima, temos desmatamento em suas margens e áreas do entorno. Sem florestas quando chove, a água vai embora pro oceano, pois o papel das árvores é reter umidade no solo. O que resta? Falta de água nos rios, e sobra esgoto lançado. E esse é o cotidiano em Floresta Azul, Ibicaraí, Itapé, Itabuna… Percebemos que nem a Barragem de Itapé (que foi construída pra manter o fluxo do rio e não pra dar água pra Itabuna) está auxiliando esse processo. Ou seja, é um problema geográfico, sistêmico, e que nem o melhor prefeito de Itabuna sozinho iria conseguir.

A degradação na região foi apresentada em diversas reuniões, como na Associação Brasileira de Recursos Hídricos, em 2018.

As soluções apontadas em nossa principal pesquisa publicada (relembre aqui) são medidas que vão precisar de nossa paciência, pois são de médio/longo prazo. Precisamos reflorestar nossas nascentes e mata ciliares, capacitar agricultores para produzirem água através de programas governamentais, implementar a cobrança pelo uso da água bruta de forma eficaz (sobretudo para indústrias e grandes produtores) e gestão ambiental nos moldes do saneamento básico na cidades. Tratar esgoto é obrigação primária.

Enquanto nada disso sai do papel, teremos mais e mais verões com essa cor perigosa para a qualidade de vida de nós, Itabunenses.

Dúvidas no (73) 991188300 e kaiquesilva@ige.unicamp.br

1 comentário
  1. Jackson Diz

    Amo a cidade de Itabuna, embora morando próximo a Salvador, é uma pena esse descaso, mais está é a realidade de praticamente todas as cidades o descaso com nossos rios, aqui em Catu não é diferente a maior parte das águas é esgoto sem tratamento.

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