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MAIS UMA VEZ ESCREVO SOBRE PLANEJAMENTO EM ILHÉUS, OU SOBRE A FALTA DELE

Por Carlos Mascarenhas*
carlos.consutic@gmail.com

Estava lendo durante este fim de semana o livro SEU ALENCAR.COM OUTRAS HISTÓRIAS…, de Guarani Valença de Araripe, que me foi presenteado pelo amigo José Leite, e lá na página 73 encontrei um texto que divido aqui com vocês, e aproveito para fazer alguns comentários.

Vamos ao texto:

O PLANO DE DESENVOLVIMENTO LOCAL INTEGRADO DO MUNICÍPIO DE ILHÉUS

Minha viagem aos Estados Unidos deu-se em razão de convite do Governo Americano (via GAI – Governamental Affairs Institute) a um grupo de prefeitos de municípios do Estado da Bahia. Houve de minha parte o cumprimento da missão oficial, que me foi delegada pelo referido grupo de prefeitos, composto por: José Waldomiro Borges, Prefeito de Jequié; Joca de Souza Oliveira, Prefeito de Juazeiro, e Jaime Mascarenhas, Prefeito de Prado. A missão de Assessor Técnico foi plenamente cumprida.

No final de 1968 nossa empresa PRO-URB, com escritório em Salvador, assinou um contrato com a prefeitura de Ilhéus, para a realização do Plano de Desenvolvimento Local Integrado do Município de Ilhéus, financiado pelo Serviço Federal de Habitação e Urbanismo – SERFHAU, órgão do Ministério do Interior. Era prefeito de Ilhéus, à época, o jovem médico Dr. Nerival Rosa Barros…

Por motivo desse contrato, eu precisava estar semanalmente na minha cidade natal. Isto me dava a alegria de poder estar com minha família, a gozar do carinho de meus pais, a receber seus conselhos e também orientações do meu primo Fábio…

Concluído o cronograma, o Plano foi entregue à prefeitura de Ilhéus, em um total de 500 exemplares, conforme contrato assinado. O município de Ilhéus foi o segundo do Brasil a contar com seu “Plano de Desenvolvimento Local Integrado”.

Lamentavelmente o novo prefeito, substituto de Nerival Rosa Barros (cassado por força do AI-5) recebeu com má vontade o referido plano, proferindo as seguintes palavras após folhear suas páginas: “Se alguém pensa que isso vai direcionar minha administração, está enganado: quem manda aqui sou eu.” Era a prepotência individual sobrepondo-se aos estudos seriamente conduzidos. Tempos depois uma autoridade militar, ao folhear o mesmo documento, exclamou, referindo-se ao Dr. Nerival :“Então era isso o que aquele jovem prefeito pretendia fazer, e nós não o entendemos!!!”

A experiência junto ao SERFHAU encorajou-me a procurar a CEPLAC objetivando a habilitação do PRO-URB para participar do Diagnóstico Socioeconômico da Região Cacaueira. Meu pai me estimulou a procurar Zé Haroldo para expor minhas ideias sobre o assunto. Mas, apesar de contarmos com a simpatia de Zé Haroldo, nossa empresa não foi escolhida para participar da realização do referido diagnóstico, que terminou tendo à frente o Instituto Inter Americano de Ciências Agrícolas – IICA, sob a coordenação do Dr. Levi Porfírio da Cruz.

Termino assim a transcrição de parte do livro do Dr. Guarani, e gostaria de fazer aqui algumas colocações.

Observem que, coincidentemente, exatos 50(cinquenta) anos se passaram e temos hoje, outra vez, um médico como prefeito da nossa cidade. Mas, infelizmente, as coincidências param aí, pois o atual governo vem demostrando dar ao planejamento governamental, pouquíssima ou talvez até, nenhuma importância.

Vamos aos fatos. Desde que em abril deste ano José Nazal, que é nosso Vice-Prefeito, pediu exoneração do cargo de Secretário de Planejamento que ocupava, e pediu exoneração por não ter tido as mínimas condições para trabalhar, pois nem uma equipe mínima conseguiu formar, o que o nosso Prefeito, o Dr. Marão fez foi nomear Alisson Mendonça, Secretário de Relações Institucionais, para interinamente responder, também, pela Secretaria de Planejamento.

E temos mais, o Plano de Metas 2017/2020 de que trata o artigo 73 da Lei Orgânica do Município que deveria ter sido entregue até 90(noventa) dias depois da posse, só agora começou a ser feito, e por incrível que pareça, pela CGM – Controladoria Geral do Município, e tenho certeza que só está sendo feito por muitas cobranças e pela intensa participação de Socorro Mendonça, Presidente do Instituo Nossa Ilhéus. E olha que nem vou falar do PPA 2018-2021, e nem da LOA 2018, que me parece também foram preparadas pela CGM, sem uma grande discussão, e sem nenhuma participação popular, pelo menos que eu saiba.

Pois é meus amigos enquanto em 1968, há cinquenta anos, Ilhéus tinha um “Plano de Desenvolvimento Local Integrado”, preparado por uma equipe coordenada por um técnico que inclusive tinha feito parte de uma missão oficial de estudos aos Estados Unidos, hoje, sequer um Secretário de Planejamento em tempo integral Ilhéus tem.

E como não temos planejamento, a Prefeitura fica sem saber o que fazer e como fazer, termina arrecadando mal e gastando pior ainda, não consegue obter recursos de outros níveis de governo, pois estes exigem um planejamento pelo menos de médio prazo, não consegue se antecipar aos problemas, trabalhando apenas “apagando incêndios” e por fim, não ADMINISTRA e sim LEVA DE QUALQUER JEITO.

Sempre termino os meus escritos que tratam do Governo de Ilhéus falando da morosidade como andam as coisas e exclamando ACELERA MARÃO! Porém hoje vou mudar o discurso para dizer: PLANEJA ILHÉUS, E O SEU GOVERNO MARÃO!

*Carlos da Silva Mascarenhas é economista

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