Câmara Itabuna
Forró rico liso
Buerarema
URUÇUCA
Forró sossego
Encanthé
Ubaitaba Inst novo
Vidro Tech

OS VIRTUOSOS “CORONÉIS DO CACAU”

Por Roberto Arleo*

Desde aproximadamente o ano de 1963 que ouço e vejo as histórias de Ilhéus e seus “Coronéis do Cacau”, alguns dos quais cheguei a conhecer pessoalmente.

Ademais, posso dizer que conheço alguns dos descendentes dos ditos Coronéis, e que são pessoas de bons valores, fato que não foge a regra ao se dizer que é pelo fruto se conhece a árvore. Pelo que estudei e percebi posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que existe uma armação comunista ideológica que objetiva denegrir e deturpar negativamente a imagem dos antigos “Coronéis do Cacau”.

Faço aqui um parêntese, para explicar que a expressão “Coronel do Cacau”, surgiu em face de que alguns bem sucedidos produtores de cacau compraram a patente de Coronel da Guarda Nacional. A patente da Guarda Nacional na época era vendida a quem podia comprar, e, portanto, existiam patentes compradas por “Senhores de Engenho”, por criadores de gado, e até cangaceiro comprou, a exemplo de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo “Lampião”, que comprou a patente de Capitão.

Pois bem, com o passar do tempo a expressão “Coronel do Cacau” passou a ser utilizada para se dirigir aos grandes produtores de cacau. Há de se reconhecer que, como normalmente ocorre no início de toda cultura e desbravamento, na cacauicultura ninguém começou com vida fácil.

Os plantadores de cacau se embrenhavam mata a dentro por dias e dias afins, enfrentando as intempéries da natureza, animais, insetos e doenças, para plantarem um a um dos seus pés de cacau, e que somente depois de muitos anos chegavam na casa de alguns milhares de pés, trazendo o retorno financeiro necessário a uma vida com conforto melhor.

Na realidade, em sua maioria, nunca esbanjaram dinheiro, ao contrário, eram tidos como demasiadamente controlados, comportamento normal de quem fez sacrifícios para aquisição de riquezas. E não devemos esquecer que em toda cultura, trabalho ou produção, o sucesso costuma vir acompanhado de valores positivos, a exemplo de dedicação, disciplina, equilíbrio, persistência, resistência, coragem, foco, objetivo, etc.

Portanto, ao contrário do que foi normalmente apregoado, os “Coronéis do Cacau” eram homens de muitas virtudes, inclusive, no que se refere a família, religião e honestidade. E é claro que em todo segmento encontraremos pessoas que desvirtuam do comportamento da maioria, mas entre os produtores de cacau, até pela própria atividade de homem do campo, poucos foram desonestos ou violentos.

No entanto, historiadores com pensamentos comunistas, buscaram desconstruir a figura do “Coronel do Cacau”, assim como atacam a todos aqueles que produzem e são bem sucedidos. Parte de tais historiadores foram influenciados pelos livros escritos pelo saudoso e grande escritor Jorge Amado, o qual quando escreveu uma boa parte das suas obras, também foi em muito influenciado pelas ideias marxistas.

No entanto, registro aqui que assisti vídeo (https://youtu.be/wp0_H6JmXF0) onde Jorge Amado desfez das ideias comunistas e disse ter se arrependido de ter apoiado comunismo. E ainda, que tive a oportunidade de ouvir do próprio Jorge Amado, que se fosse escrever novamente suas obras, daria uma conotação diferente à imagem do “Coronel do Cacau”.

Graças aos Coronéis do Cacau a Região Cacaueira sustentou, durante um bom período de tempo, parte do desenvolvimento da Bahia e do Brasil, época em que Ilhéus era uma das mais desenvolvidas cidades do interior do país.

E, por fim, os Coronéis, apesar de algumas poucas brigas existentes entre eles, sabiam se unir e defendiam com muita competência os seus interesses e os da Região Cacaueira, coisa que, sinceramente, os atuais produtores de cacau estão precisando reaprender a fazer.

* Advogado, Produtor rural, Presidente da UDP – União em Defesa da Propriedade e um dos defensores da Região cacaueira do Sul da Bahia.

1 comentário
  1. Luiz Carlos Diz

    Boa tarde.
    Uma defesa muito forte do coronelismo, independente de patente comprada ou não.
    A questão ideológica ficou muito forte e patente. Compromete para outros a qualidade do escrito. Porém, acrescenta mais um conhecimento para quem desconhece a cultura cacaueira. Vale a pena uma palestra do autor com jovens que desconhecem o processo histórico de construção da sociedade e cultura cacaueira.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.