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PODE ISSO, BOLSONARO?

Davidson Brito* | davidson_brito@yahoo.com.br

Os amantes do futebol em algum momento, presenciaram o narrador de futebol Galvão Bueno solicitando a opinião do comentarista de arbitragem Arnaldo Cézar Coelho. A cada lance faltoso, ou no mínimo duvidoso, se tornou comum ouvir pela TV a expressão: “Pode isso, Arnaldo?”.

Já fora das quatro linhas e diante de um cenário político repleto de controvérsias. Podemos dizer que o Governo Bolsonaro enfrenta sua primeira crise política, após à abertura do Caso Queiroz, envolvendo diretamente o senador Flávio Bolsonaro, e recentemente, com outro escândalo, envolvendo o agora ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno e o ministro de Turismo, Marcelo Álvaro.

Em meio a toda essa inconstância, Bolsonaro e Paulo Guedes, ministro da Economia, tentam dar seu primeiro grande ataque ao povo brasileiro, apresentando ao Congresso Nacional uma proposta danosa de reforma da previdência. Diante de toda instabilidade que o governo atravessa, a própria base aliada já vêm demonstrando preocupação, afinal de contas, ela sabe que a proposta é prejudicial para maioria da população, atingindo mais de 80% dos trabalhadores que ganham até dois salários mínimo. Para tanto, sua aprovação dependerá diretamente de um “melhor momento”. Um exemplo, é o presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia, que já não demonstra todo o otimismo que o levou a afirmar que “qualquer um trabalha hoje em dia até os 80 anos”.

O modelo de capitalização é uma espécie de poupança na qual o dinheiro é investido individualmente para aposentadoria do trabalhador. O mesmo tem a oportunidade de definir quanto contribuirá e por quanto tempo. Tendo como responsável por administrar, a iniciativa privada, através de bancos e fundos de pensão. O grande problema desse modelo é que não leva em consideração a gritante desigualdade social em nosso país, tampouco as condições precárias de trabalho e salários, que levaram muitos trabalhadores a nunca conseguirem se aposentar. Assim, essa proposta não é feita para acabar com privilégios, pois se realmente fosse boa, certamente já teriam-se incluídos todos os segmentos, inclusive os militares. A verdade é que ela foi feita para encher ainda mais os bolsos do mercado financeiro privado.

Se analisarmos ao longo da história, veremos que a ideia de alterar o modelo de Seguridade Social previsto na Constituição, não é de hoje. Já nos governos de FHC e Lula, houveram mudanças significativas, respectivamente, com o surgimento do fator previdenciário e em 2003 com a reforma que atingiu diretamente o funcionalismo público. O que todas essas propostas escondem através da justificativa da “inviabilidade do sistema”, é que o dito rombo fiscal e o envelhecimento da população, são maquiagens sobre uma discussão que esconde o verdadeiro esquema que fragiliza o modelo atual.

Se por um lado é bem verdade que a população está ficando com uma faixa etária maior, por outro, é preciso compreender que é dever do Estado se planejar sobre tal realidade e não sacrificar a vida das pessoas por estarem vivendo mais. Já o discurso do “rombo na previdência”, não é bem assim. Uma vez que o mesmo não é obra do acaso, mas sim, fruto de uma política equivocada aplicada no mínimo há algumas décadas no Brasil, que hoje, reflete-se em um desequilíbrio nas contas públicas. Política pró-mercado, que é dada continuidade no atual governo.

É inevitável afirmar que nosso país necessita de uma reforma na previdência, no entanto, é preciso partir de uma lógica totalmente diferente da que temos visto. Para isso, é preciso enfrentar as políticas que fragilizam o modelo de Seguridade Social e retiram recursos da Previdência para pagamento da dívida pública. Medidas como o fim da Desvinculação de Receitas da União (DRU), interrupção na farra das isenções fiscais e a criação de um programa de renegociação das dívidas de empresas que dão um verdadeiro calote no INSS, são alguns dos caminhos iniciais que podem ser criados sem penalizar a população.

Assim, o dia 20 de fevereiro, última quarta-feira, foi um dia importante onde parte significativa da população foi às ruas para apontar o verdadeiro ataque que essa proposta representa, mas sobretudo para dizer qual reforma nós defendemos.

Neste momento caro leitor, peço que façamos uso da imaginação sociológica, e imaginemos viver a dinâmica de uma partida de futebol. Onde quem vos escreve, passaria a ocupar o lugar do narrador, o presidente Bolsonaro o do comentarista de arbitragem, o ministro da justiça Sérgio Moro o do árbitro de futebol, Paulo Guedes o do jogador que acaba de cometer uma falta e você, o do jogador que a recebe. Após lance faltoso, não marcado pelo árbitro. De imediato, quando perguntado por mim, “Pode isso, Bolsonaro?”, o presidente diz que não foi falta. E você, o que responderia a ele? Só não se esqueça de uma coisa, a proposição é meramente ilustrativa, pois diferentemente das quatros linhas onde quem manda é o juiz, nas ruas, quem continua a mandar é o povo.

*Davidson Brito é estudante de Direito e militante dos movimentos sociais

1 comentário
  1. aaa Diz

    ooh shit!!!

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