COLÉGIO JORGE AMADO
Buerarema
Pref ilheus junho
Plansul
Ieprol

A CULTURA DO MACHISMO E O CASO DO MENDIGO

Por Marcos Dantas*

Nos últimos dias um acontecimento chamou a atenção dos(as) brasileiros(as): o caso do personal que agrediu um morador em situação de rua após flagrá-lo em companhia da sua esposa que estava sem roupas dentro de um carro. As agressões fizeram com que Givaldo Alves, o mendigo, precisasse ficar internado cerca de uma semana para a recuperação da sua saúde.

Ao sair do hospital o mendigo foi procurado pela imprensa para conceder entrevistas revelando sua versão dos fatos, já que toda a história era contada pela mulher e seu marido. Muitas pessoas já brincavam com a história e as entrevistas concedidas por Givaldo tornaram-se mais alguns dos instrumentos para a prática velada de machismo.

Em um primeiro momento, muitos comentários nas redes sociais estavam acerca da forma eloquente e articulada nas falas do mendigo – revela-se aqui uma forma de preconceito exercido sobre as pessoas em situação de rua – entretanto, no desenrolar das entrevistas, o homem contou detalhes de como foi realizada a abordagem até o ato sexual, expondo a figura da mulher envolvida ao constrangimento.

O absurdo de toda esta exposição piora quando o entrevistado indica as particularidades do corpo da mulher envolvida no caso e as palavras utilizadas exercem a função de objetificação e padronização do corpo feminino levando muitas pessoas a se divertirem às custas do machismo que agora passa de velado para escancarado. A cultura do machismo mais uma vez imperou nas narrativas fomentadas pela população em geral.

Diversos foram os compartilhamentos realizados no Instagram, WhatsApp, Twitter e em outras redes sociais exaltando a atuação do mendigo nas entrevistas. As frases de efeito utilizadas logo desenvolveram os chamados “memes” que se reproduzem e continuam a serem compartilhados com piadas machistas e com uma certa veneração ao morador em situação de rua. Caro(a) leitor(a), este comportamento não parece estarrecedor?

Em 2021 cerca de 83% da população brasileira considerava o país machista e aqui encontra-se em caráter contraditório o fato de grande parte da população esteja compartilhando o “endeusamento” à figura masculina do mendigo sem a menor preocupação com a saúde mental da mulher envolvida no caso. Uma sociedade que relativiza e não observa esse comportamento machista disfarçado em diversão precisa urgentemente refletir que é através do machismo que o feminicídio continua a ser tão praticado no Brasil.

A sociedade é responsável pelo combate ao machismo e sua não replicação no cotidiano pode influenciar o comportamento das pessoas adeptas à esta prática. Torna-se imprescindível que o governo invista e promova ações – seminários, rodas de conversa entre outras – que contemplem crianças, adolescentes e jovens no que diz respeito ao assunto e que todas as pessoas em sociedade pratiquem a empatia para com as vítimas, atuando de forma combativa a chamada cultura do machismo que infelizmente é tão latente na sociedade brasileira.

Artigo de Marcos Dantas – Cientista Social licenciado pela UESC – BA.

1 comentário
  1. Anônimo Diz

    Parabéns! Gostei muito do artigo.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.