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A FOGUEIRA DE SÃO JOÃO CONTINUA APAGADA

Por Gabriel Carvalho*

Pelo segundo ano consecutivo, os baianos e baianas não poderão celebrar os festejos juninos como gostariam Apesar de mais de 3,8 milhões de pessoas já terem recebido a primeira da dose da vacina contra o coronavírus no Estado, o número ainda está longe de ser o ideal para colocar a pandemia ficar sob controle.

O impacto das contaminações é grande. No Brasil, os mortos já chegam perto do assombroso número de 500 mil e a imunização ainda está num ritmo de conta-gotas. Na economia, o tombo também é grande e cerca de R$ 1 bilhão devem deixar de circular nas mãos do povo baiano este ano, repetindo o triste indicativo de 2020.
A convite dos integrantes do Observatório da Economia Criativa da Bahia, participei como apoio técnico, ano passado, de um dos maiores estudos já feitos sobre os impactos dos festejos juninos nas finanças do Estado e dos municípios. O levantamento, por sua vez, mostra que o tombo no bolso é muito maior do que a gente imaginava.

Não são apenas as prefeituras que estão sofrendo com a queda de arrecadação proporcionada pela ausência do São João. Artistas, músicos, hoteleiros, roadies, comerciantes de estabelecimentos de todos os portes, trabalhadores e vendedores ambulantes sentem a falta do arrastapé.

O São João representa um décimo terceiro mês de arrecadação para centenas de municípios da Bahia e olhe que mais de 300 deles fazem festas para valer. É o caso de Amargosa, que praticamente duplica a sua população de 40 mil habitantes no mês de junho. Lá, o impacto das festas juninas no PIB é muito grande, o equivalente a 10% de todas as riquezas geradas. Segundo dados da Prefeitura, R$ 30 milhões é o montante gerado nesse período de festividades.

A pesquisa do OBec mostra ainda que quadrilhas juninas, agentes culturais, pequenas indústrias como as de fogos de artificio e licor também amargam o prejuízo da falta do xote, do xaxado e do baião.

Por iniciativa da deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA), esses impactos foram discutidos no dia 1º, em audiência na Comissão de Cultura da Câmara, presidida pela também parlamentar e baiana Alice Portugal (PCdoB). No encontro, músicos, agentes culturais e representantes de associações propuseram algumas ações para mitigar os prejuízos que vão desde a realização de lives remuneradas por prefeituras e governos com recursos da Cultura, bem como a desburocratização do acesso a crédito e até mesmo a inclusão de categorias ligadas à cultura e ao entretenimento em uma nova modalidade de auxílio-emergencial. A partir destas solicitações, um documento será entregue ao Consórcio de Governadores do Nordeste, à Confederação dos Municípios e ao Governo Federal.

A conclusão deste cenário é que o São João não é só festa, mas uma das principais ferramentas de inclusão cultural, social e econômica do Brasil. Vacina já !

*Gabriel Carvalho é publicitário e jornalista

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