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ACONTECÊNCIAS #17

Por Josias Miguel*

Utilizo esta coluna que assino e agradeço aos veículos de imprensa que, por ventura, seus dirigentes julguem merecer divulgação. Após período conturbado das últimas eleições, resolvi me manifestar com análises e questionamentos de forma bem pessoal, ao meu estilo, mas não necessariamente apenas sobre o tema.

No alto da experiência, no campo pessoal e político adquirida ao longo dos 73 anos de vida, pergunto, de logo, aos viventes leitores onde estavam, fazendo o quê, a partir de 13 de dezembro de 1968 até 1974, famigerado período chamado de “anos de chumbo” da ditadura militar?

Eu, Josias Miguel, de 1966 até 1969, morava no Rio de Janeiro, capital do Brasil e centro das grandes batalhas pelo fim do regime autoritário e militante no front. E você , estava onde? Qual sua experiência, seu conhecimento sobre regimes políticos, sobre democracia ou ditadura, de direita ou de esquerda? O que sabe você sobre isso para se auto intitular líder ou apenas participante de protestos, sem causa justa, reivindicando intervenção militar no País?

Minha família sanguínea, de origem humilde, minhas irmãs, meu falecido irmão, jornalista Antônio ALAERTE e eu, à época estudantes, sofremos as angústias da repressão estudantil. Eu passava dias na Casa dos Estudantes no centro do Rio de Janeiro, junto com outros jovens resistentes e combatentes ao regime autoritário. Alguns sobreviveram, outros não, a exemplo do Edson, estudante assassinado em 1968 (com apenas 18 anos de idade) dentro do restaurante universitário Calabouços no Rio, em confronto com a polícia. E você , onde estava? Enquanto bravos lutavam pela liberdade outros usufluiam das benesses da alta burguesia, assim como alguns dos manifestantes usufluem atualmente.

Você , que frequentou ou frequenta faculdade particular ao custo na casa de milhares de reais, sabe o que é ser nordestino, cortador de cana, vendedor de caldinho de feijão na Praia de Boa Viagem, vender verdura no mercado municipal para garantir o mínimo de estudo aos filhos? Sua mãe lavar roupas de manhã e a tarde, passar durante a noite para receber míseros trocados para colocar comida na mesa para os filhos? Não, muitos não têm idéia do que seja isso. A escravidão branca foi e é, de certa forma, nos dias atuais, vergonha nacional.

Seu pai foi ou é caminhoneiro, passando dias e semanas na solidão das estradas para botar comida na mesa, comprar roupas para os filhos, livros, pagar o fornecedor do leite, da farinha, comprar o botijao de gás e hoje fazer parte da grande e involuntária “massa de manobra” preso nos bloqueios das estradas enquanto alguns abastados gritam por liberdade? Qual liberdade, se não há repressão? Discursos com slogam de efeito marqueteiro, de pátria e família? Pergunto: qual de vós tem coragem de dar a vida por isso? Ou é apenas balela, cortina para esconder os verdadeiros objetivos e interesses pessoais?

O que passa pela sua cabeça quando nega pequenas áreas da sua vasta propriedade rural para um agricultor familiar? Acha que ele poderá lhe roubar, não é? Quem tem a oportunidade de produzir não passa fome, portanto não tem necessidade de roubar.

Meus pais foram desbravadores do norte do ES, introduziram a lavoura cafeeira na região e na época quem não tinha terras próprias trabalhava como meeiro, ou seja, plantava, cuidava e dividia as colheitas. Nunca se ouviu falar que algum dos meeiros roubou as terras de alguém. Meus pais foram meeiros.

Defesa da honra da família? Tem alguém aí cujo pai tenha morrido por isso? Pois o meu sim, morreu em covarde duelo, mas deixou aos filhos o senso de justiça, a coragem dos bravos, honestidade e solidariedade. A história do Zé Gavião, como meu pai era chamado, está perpetuada na memória de muitos ainda vivos e em livro de Cordel que escrevi.

A vida me fez compreender que alguns são eternos meeiros e sou um deles. “… Sou apenas um rapaz Latino Americano, sem dinheiro no banco e parentes importantes, vindo do interior…” E vou “… tocando em frente…” sendo meeiro, embora que os “ proprietários das terras e dos bois” não me enxerguem assim.

Aos incrédulos, provo que sou de fazer, planto cuido e me orgulho em saber que alguém está colhendo o que plantei.

*Marqueteiro e Articulista Político 

1 comentário
  1. Zu-Landa Diz

    Excelente abordagem! 👏👏👏

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