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AS MULHERES DE ITABUNA RESISTEM: 8 DE MARÇO É PELOS NOSSOS CORPOS, NOSSA VIDA

“Se um dia as mulheres abaixassem os braços, o céu cairia”, esse é um provérbio africano, de fato, muito sábio. É uma pena não sabermos qual sua exata origem, o que seria de se admirar numa sociedade que faz questão de tratar, ainda no século XXI, a África como um país e as mulheres trabalhadoras como serviçais. Itabuna é uma cidade muito cruel com as mulheres: sofremos com a violência constante de um transporte público que não atende as mínimas necessidades, com um saneamento básico que não atende 86% da população, com a falta de creches públicas e com os altos índices de violência doméstica que não conseguem ser combatidos apenas por um CRAM – Centro de Referência de Atendimento a Mulher –, uma única DEAM – Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher – (que fica num bairro “nobre”, num local isolado e perigoso e não funciona nos finais de semana e feriados) e um Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres que está desativado. E sobretudo, a partir de uma política extremamente coronelista e conservadora que ainda acredita que mulheres são úteros ambulantes responsáveis por reproduzir herdeiros e trabalhadores, que servem como “boas amantes” ou boas trabalhadoras domésticas. Quem nunca ouviu ou viu nenhum tipo de abuso que reforce e naturalize essa realidade, pode dizer que estamos mentindo. Mas infelizmente não estamos. Ao contrário, quem mente são os meios de comunicação que utilizam do feminicídio e da violência sexual para culpabilizar mulheres por sua situação de vulnerabilidade, reforçando o medo que temos de exercer o nosso direito de ir e vir e acaba nos empurrando para o espaço privado das nossas casas, como se não fôssemos dignas de estar e andar nas ruas sem sermos constrangidas e termos nossos corpos tidos como domínios públicos que podem ser assediados, comprados e humilhados. Infelizmente, o contexto em que vivem as mulheres itabunenses é o contexto que vivem as mulheres brasileiras e de todo o mundo. Vivemos uma crise sem precedentes: o nível de desigualdade ao qual chegou a nossa sociedade não convive mais com o suprimento das necessidades básicas do povo e os poderosos querem nos encarregar de serviços que deveriam ser públicos e universais, como saúde e educação, aproveitando para legitimar, a partir do reforço de um preconceito retrógrado e patriarcal, a retirada de todos os nossos direitos sociais por meio do aumento do desemprego e da criminalização da pobreza, que subjulga mulheres que vivem nas periferias às violências dos centros: o subemprego, a prostituição e o genocídio da juventude negra que explora nosso trabalho, nossos corpos e em troca nos deixam sem dormir com medo de perdermos nossos filhos. Sem contar com o corte no Bolsa Família e nas políticas públicas de combate à violência de gênero que desamparam diariamente mães pobres chefes de família. Mas, se o sofrimento não é suficiente para a formação de uma consciência transformadora, as conquistas das lutas obtidas por meio da organização popular são. E por mais que queiram não podem apagar a nossa história! Foi com sangue e suor de muitas mãos de muitas mulheres que conseguimos ter acesso à educação, investimentos em políticas públicas com o olhar voltado para o gênero e programas como a Casa da Mulher Brasileira. Por isso é nosso dever resgatar e ampliar os nossos direitos continuando esse legado rumo a construção de uma sociedade verdadeiramente justa, onde estes não sejam mais usados como moeda de troca. Por isso que no 8 de março e todos os dias nós resistimos! Se hoje podemos votar, eleger e sermos eleitas, temos demais direitos políticos e as pessoas acreditam que vivemos em um mundo melhor para as mulheres, o mérito é todo nosso. Se enganam os que pensam que o feminismo é uma ideia. O feminismo é material, concreto, são as mulheres em movimento na luta pelo reconhecimento da sua humanidade e dela não abriremos mão! Nesse 8 de março de 2018, ano de eleições, as mulheres do Brasil inteiro se colocarão na luta por Democracia e pelo direito de Lula ser candidato, por Soberania e Autonomia, sobre nossos corpos e nossas vidas, indo na contra-mão de um governo golpista que quer nos escravizar por meio da Reforma da Trabalhista, da Previdência, que quer tirar nossa dignidade por meio de um teto dos gastos que põe limites apenas dos gastos públicos com o povo e não com o mercado, que querem aumentar o índice de morte com uma PEC 181, nos violentando duas vezes retirando o direito de abortar em casos de estupro e risco de morte da mãe. Avançaremos porque somos as últimas a dormir e as primeiras a acordar, porque se é do nosso trabalho e do nosso cuidado que se forja tudo a nossa volta que sejamos nós a decidir em quais cores que será pintado o futuro! E ele não será cinza e miserável como querem nos fazer acreditar, ele será colorido, feminista, soberano, democrático e popular, porque nós venceremos! Todas juntas no 8 de março na praça do Jardim do Ó às 15h, para darmos mais um passo a frente nessa luta! Frente Brasil Popular

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