Jequitibá
Pref itabuna
Ieprol
Ubaitaba Inst novo
Buerarema
URUÇUCA
Navegando pela Categoria

Coluna Livre

TEM UM NEGRO FAZENDO A DIFERENÇA NA SUA CIDADE, MAS VOCÊ NÃO VÊ

Na timeline de todas as redes sociais a pauta do mundo é racismo e fascismo. Questão levantada principalmente nos EUA, após um vídeo viralizar mostrando a prisão de Floyd. Nele, um policial branco aparece com o joelho sobre o pescoço do homem, que já estava algemado e de bruços no chão. “Não consigo respirar”, dizia, morrendo pouco tempo depois. No Brasil, a vítima-símbolo da vez é João Pedro, 14 anos, inocente, morto dentro de casa durante operação policial no Rio de Janeiro. No último domingo, 31 de maio, manifestações gigantes. “Nós viemos pras ruas porque eles foram nos matar em casa!”, gritava jovem em ato no Rio de Janeiro.

Enquanto isso, em Itabuna, mas ao vivo no youtube, acontecia a Live do Pancada. Não sabe o que isso tem a ver com o tema? Então vou te contar! Fabrício Pancadinha, 31 anos, negro, morador de um dos bairros conhecidos como mais violentos da cidade, é cantor e hoje empresário da própria carreira. Para tocar na cidade, quase sempre ele precisa ser também o produtor dos eventos. Mas faz. E toca. E com o dinheiro da própria banda, na medida do possível, ajuda sua gente.

Em maio de 2019, alugou um espaço na praça do próprio bairro e montou um projeto social chamado Alô Comunidade. Nele, jovens e adultos são assistidos com aulas de boxe, dança, capoeira, percussão etc. Quando os apoios somem, o dinheiro dos shows banca o aluguel do espaço, enquanto as demais despesas ficam por conta da união de todos. União essa que também concretou (con-cre-to!!!) ladeiras inacessíveis do bairro. Taxi, Samu e outros serviços básicos agora conseguem passar por ruas que o poder público simplesmente ignorava.

A conta é simples: quem pode um pouco mais ajuda quem pode menos, ou simplesmente não está podendo nada. A Live do Pancada, produzida, idealizada e montada por ele mesmo, em parceria com amigos (muitos do próprio bairro), arrecadou quase 10 toneladas de alimentos para a própria comunidade. Além, claro, de estar visualmente bonita, dando voz e autoestima a milhares de pessoas que se sentem representadas por ele. Mas muita gente “não vê”. Não basta compartilhar posts de apoio a campanhas nas redes sociais, amigos. É preciso enxergar os Fabrícios, Paulos, Pedros etc que existem pelo mundo afora.

Manuela Berbert é publicitária.

Leia mais...

A COR QUE PEDE JUSTIÇA

Mais um caso de morte de um homem negro, algo cujo relato já é bem corriqueiro, chegando a banalidade de tão comum nos noticiários. O terrível é imaginar que algo cruel, como o racismo, pode ser banalizado. Injustiças jamais devem ser naturais, a violência contra alguém jamais pode ser considerado algo do cotidiano. Como podemos nos acostumar, não se importar com as injustiças?

Em Minneapolis, cidade localizada em Minnesota, há 4 dias está sendo palco de constantes protestos violentos e muitas revoltas em razão da morte de George Floyd, um homem negro que foi asfixiado enquanto era detido por um policial branco, o qual se ajoelhou no seu pescoço, juntamente com mais três colegas de profissão (um adendo aqui: Chauvin e um outro policial que estava na ação, Thao, têm outras queixas por  atos violentos) e os protestos estão se disseminando por todo os EUA.  O vídeo da brutalidade que causou a revolta foi filmado e divulgado pela internet por uma transeunte, a qual ficou horrorizada pela brutalidade da ação, e, mesmo com as tentativas dos policiais envolvidos em impedir a gravação da mulher, deu para ouvir na filmagem as súplicas sem efeitos do homem para o deixarem respirar. É muito comum a morte de pessoas negras por policiais brancos nos EUA, assim como é no Brasil, porém, a população de Minneapolis agora quer dar um basta nestas situações funestas.

O racismo na América do Norte se mostra muito mais latente, o que não significa, em nenhuma única hipótese, que ele não ocorra no Brasil. Mesmo com a moda do negacionismo do racismo, é possível identificar em vários costumes brasileiros o racismo e o preconceito, pois está em tudo a nossa volta e passa desapercebido: nas frases, na arte, nas expressões e atitudes, no mercado de trabalho, nos bairros… em tudo há um resquício do preconceito e violência contra os negros.

Existem diversas leis que tratam do racismo e da injúria racial no ordenamento jurídico, aliás, no Brasil, há um Estatuto específico que tratará sobre o tema, é a lei 12.288/2010 (e, por incrível que pareça, ele só em 10 anos) e no seu artigo primeiro, encontramos a sua finalidade “Art. 1o  Esta Lei institui o Estatuto da Igualdade Racial, destinado a garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica.”. Encontra-se também que é papel do Estado assim como de toda a sociedade agirem para promover a erradicação do racismo, atuando em diversas áreas que regem a nossa vida: “É dever do Estado e da sociedade garantir a igualdade de oportunidades, reconhecendo a todo cidadão brasileiro, independentemente da etnia ou da cor da pele, o direito à participação na comunidade, especialmente nas atividades políticas, econômicas, empresariais, educacionais, culturais e esportivas, defendendo sua dignidade e seus valores religiosos e culturais.”

Já a Carta Magna é categoria quanto a seriedade do crime racismo, posto nos artigos que trazem os direitos fundamentais, e é considerado tão hediondo, que é inafiançável  e imprescritível, assim constante no artigo 5º inciso XLII: “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”. Também existe a lei 7.716/89 em que podemos encontrar diversos crimes derivados da prática do racismo como também as penas a serem cumpridas caso cometidos, detalhe: TODOS são crimes com pena de reclusão, cujos somente são aplicadas nas condenações mais severas.

É comum o bordão “mas para estar sendo detido, coisa boa não fez”. De fato o George estava sob custódia, porém trabalhava como segurança no restaurante Conga Latin Bistro, e o crime que culminou na sua morte: segundo o site R7, desarmado, George tentou fazer uma compra com uma cédula falsa de US$ 20; e aqui eu deixo a pergunta: é justo pagar com a vida por conta de 20 dólares?

Sobre o caso que ocorre nos EUA, não pode-se dizer em nenhuma circunstância de que é muito diferente do que ocorre no nosso país, nem menos cruel, nem menos hediondo. Habitualmente vemos nas mídias estas mortes, muitas delas injustificadas, e mesmo sabendo disso, dormimos tranquilamente, o que jamais deveria ocorrer se falamos de um ser humano dotado de sentimentos de compaixão, piedade, e ciência de que o outro é seu semelhante, apenas com uma cor, sexo, pensamento, religião, ou característica física irrisória diferente. Uma característica que temos como “seres superiores racionais” é que matamos por questões tão banais, enquanto os outros seres “irracionais” matam apenas por questão de sobrevivência, o que é um contrassenso insano. Em Minneapolis, o procurador Mike Freeman, já deu notícia de que o policial responsável pela morte de Floyd, Chauvin, foi acusado de assassinato em terceiro grau e observou que a investigação dos outros policiais está em andamento.

Que as autoridades americanas possam penalizar a altura cada um  destes policiais por uma morte injustificada, uma vez que, como autoridades portando armas legalmente, eles podem apresentar altíssimos riscos à sociedade, pois, muito  pior do que um criminoso comum, é o criminoso que se veste de autoridade, e detém todo o aparato estatal ao seu dispor. Faço um reforço por fim, que todas as polícias são compostas de humanos comuns como qualquer outro, e que devemos respeitá-los por serem humanos, sendo que eles tem como profissão atuar  em nossa defesa, em nossa proteção, colocando em risco as próprias vidas, porém, se um criminoso adentrar na corporação, manchando a imagem destes profissionais, estes, e somente estes, devem ser punidos como criminosos.

Leia mais...

VOCÊ ACREDITA QUE A TERRA É PLANA?

Começo este texto, com esta indagação porque é bem propícia para a atualidade e terá enorme importância para daqui para frente. As pessoas negarem até mesmo o óbvio.

Não se trata aqui de dizer que toda a ciência é absoluta, pelo contrário. Mas como seria possível as pessoas negarem evidências tão comum, cientificamente comprovadas como o estado da água ser líquido. O livro de Giuliano Da Empoli, Os Engenheiros do Caos, explica com maestria como as Fake News, as teorias da conspiração e os Algoritmos estão sendo utilizados como atual tomada de poder pelas Forças Armadas, através da disseminação do ódio, medo e utilizando os próprios brasileiros neste objetivo geral de implantar um governo autoritário que está longe de ser uma democracia.

Primeiro devemos entender que todo governo populista se apresenta como um carnaval. Por que carnaval? Trata-se de uma festa que rei vira mendigo e mendigo vira rei, homem vira mulher e mulher vira homem. Um momento em que não há lei, porque todos sentem-se empoderados a fazer e dizer o que querem. E proposta no momento é um Carnaval. Mas os bastidores sempre escondem a sórdida intenção populista, a implantação de um regime extremamente autoritário. Daí fica claro nos discursos ministeriais que assistimos, no dia 22 de maio de 2020, na fatídica reunião que veio a público.

Vamos citar a frase do Presidente da República, o qual ele menciona que o “povo deve estar armado, pois assim não será escravizada”. Logicamente que o Presidente não quer que todos brasileiros estejam portando arma de fogo, mas que o cidadão se aproprie de um sentimento de empoderamento para guerrear contra as instituições republicanas que ainda oferecem obstáculos para realização um de plano não democrático e justo de governo e sim um plano pessoal de governo, aliás não tão pessoal, mas totalmente militarizado por generais que já se encontram em diversos cargos estratégicos do governo federal.

O atual movimento bolsonarista que embala a Presidência da República, implanta palavras de ódio e aversão a direitos que chamam de “privilégios” as quais são colocadas de forma minuciosa, com o objetivo maior de desmontar instituições componentes e derivadas da atual Constituição Federal, como IPHAN, IBAMA, ICMbio, a Educação e a Cultura. Está claro que o caos é objetivo específico no momento para alcançar o objetivo maior, que é retirada de civis do poder e colocar o exército no total comando do poder governamental. Por isso que assistimos atônicos diariamente ataques ao Congresso Nacional, ao Supremo Tribunal Federal e Governadores e Municípios.

Estas manobras estavam evidentes nas falas emblemáticas de instalação do caos e do ódio, dos Ministros Paulo Guedes, Abraham Weintraub, Damares e Ricardo de Salles. Declaração de ódio as comunidades indígenas, aprovação por debaixo da mesa de expansão do desmatamento da floresta Amazônia, ameaça de prisões à Governadores e Prefeitos. A liberdade que proclamaram nesta reunião é para estarem acima da atual Constituição Federal e utilizarem desta crise sanitária como pano de fundo e brasileiros como exército de desmonte do atual Estado Democrático, mas que ainda não conseguiram porque estão com entraves na Constituição Federal.

Fica claro que o atual populismo utiliza dos ciberespaços através da Fakes News como arma de potente alcance implantando o ódio, criando os imaginários inimigos que são o comunismo e politicamente correto, em uma arena onde loucos acreditam serem sábios.

Lógico como toda a guerra civil, esta também tem as suas estratégias e uma delas é usar o povo, para alimentar o ódio, o antagonismo, a polarização. Jogada não é difícil de entender. Incentivar o ódio contra instituições republicanas, com máscaras na pele de ovelha, se apropriando de frases de religiosidade como “DEUS ACIMA DE TODOS” e implantando um ódio cego semelhante a seitas.

Escreveu o blogueiro da direita alternativa americana Mencius Moldburg.

“Qualquer um pode crer na verdade, enquanto acreditar no absurdo é uma real demonstração de lealdade – e que possui um uniforme, e um exército”.

O que se verifica hoje neste novo populismo, pessoas que negam a ciência, negam o desmantelamento das instituições republicanas, negam as mortes do COVID19 e a dores de seus familiares e busca de algo que não sabem nem mesmo o que querem.

Muitos vão afirmam que a terra é plana e infelizmente as previsões são péssimas para futuro da nação brasileira.

Leia mais...

A BOA POLÍTICA NUNCA ENVELHECE

Desde a última corrida eleitoral no Brasil muito tem se falado em ‘velha’ e ‘nova’ política. Afinal, existe mesmo? Ou é um produto de marketing vendido por campanhas e outsiders? Neste momento, não podemos negar que há um divórcio entre a população e toda classe política no país, mas com um olhar especial para nossa cidade que em poucos meses enfrentará mais um processo sucessório para escolha do novo gestor (a) que ocupará o Centro Administrativo Firmino Alves e também dos novos 21 vereadores do Poder Legislativo, apesar da atual pandemia que estamos enfrentando.

Há descrença em todos os lados, mas convenhamos que a política em si é inerente ao ser humano, o homem é um ser político – ou seja, negá-la é negar a si próprio. Ainda que a palavra tenha se tornado cada vez mais distante, principalmente após tempos de Lava Jato e uma atípica eleição presidencial, é a política, em todos os aspectos, que regula o cotidiano dos cidadãos. É ela quem nos permite viver em sociedade.

Minha caminhada no mundo político data desde os meus 14 anos de idade , onde vivenciei o real sentido de militar em um partido, além de ter vivenciado os bastidores do poder, participando ativamente de um mandato eletivo. Sempre fui estimulado por familiares e amigos, onde minhas ideias são vistas como inovadoras e como tiraria do papel? Fazendo… política, ora.

Anos depois, afirmo que fiz a coisa certa. Não vejo a participação na política como uma carreira profissional, mas faço dela minha vocação. Uma oportunidade para mudar a vida de quem está na ponta, de quem mais precisa. Uma cidade do porte de Itabuna e seus concernentes problemas, necessita de mais ações efetivas e prioritárias na saúde, social, educação, segurança, infraestrutura e tantas outras áreas.

Neste sentido, ao citar tais problemáticas e carências, sempre surge a pergunta: a população deve dar oportunidade aos ‘velhos políticos’? Me questiono: existe essa dicotomia? Existe boa e má política. A boa política nunca envelhece. O que realmente importa é a experiência com a coisa pública, capacidade de gerir e de fato, acrescentar e desenvolver práticas que venham transformar determinada localidade. Erros administrativos podem acontecer, mas não é regra e devem ser corrigidos. Frisando que isso não significa defender atos de corrupção e de lesão ao erário público, e compreender as nuances de uma gestão e da máquina pública. As pessoas podem se reinventar a cada momento, pois esse processo é totalmente cíclico.

Que fique claro, não faz sentido culpar cabeça branca, preta ou careca. Mais importante que a cor do cabelo, é saber o que passa por cada cabeça, o pensamento e visão de cada um, com união de ideias para atingir um objetivo comum. A participação na política pode e deve, sim, dar bons resultados. Ouvindo os lados e as suas divergências. É no que acredito, ontem e hoje!

Leia mais...

A MÁSCARA DE REGINA DUARTE CAIU, E NEM MANOEL CARLOS CONSEGUE MAIS SEGURAR

Por Manuela Berbert *

Gosto de gente. Sempre gostei. Observar o comportamento humano sempre foi, digamos, o meu maior fetiche. Novelas, seriados, livros, filmes e as mais simples rotinas diárias, para esta publicitária que vos escreve, só tem atrativo se tiverem personagens interessantes. Interpretados ou vivenciados. Da vida real, ou não. Suas falas, gestos, emoções, reações, seus dramas, conquistas e perdas. Suas histórias. Ninguém resiste a uma boa história.

Fui uma telespectadora apaixonada pelas novelas de Manoel Carlos, e consigo ainda sentir a emoção de quando pisei os pés pela primeira vez no Leblon, no Rio de Janeiro. As boas histórias têm esse poder: de nos entreter e nos entrelaçar ao ponto de nos apaixonarmos por algo, alguém, ou algum lugar. Eu me apaixonei por aquele bairro boêmio, mas também cheio de cafés e livrarias. Como me apaixonei por suas Helenas, sentimento esse facilmente estendido a Regina Duarte, excelente atriz.

Faço parte da parcela brasileira que teve vergonha ao assistir “minha Helena”, ops, a (agora, ex) “Ministra” da Cultura Regina Duarte completamente desequilibrada em uma entrevista, ao vivo na CNN, desdenhar do número de mortos durante a pandemia que estamos enfrentando. O mundo todo parou, o mundo todo segue se precavendo e lamentando tudo o que estamos vivendo, e Regina, a pessoa real, nem de longe parecia aquelas personagens todas já interpretadas, coerentes e de falas tão lúcidas.

2020 chegou trazendo muitas mudanças, e muitas delas pela dor. Há muito sofrimento acontecendo no mundo para que um novo tempo comece de verdade. Um tempo baseado em clarezas, sentimentos genuínos e coletivos. Os personagens da vida real não sustentarão suas máscaras por muito tempo. A de Regina Duarte caiu, e nem Manoel Carlos consegue mais segurar!

* Manuela Berbert é Publicitária

Leia mais...

O PODEROSO BOLSONARO

Além da covid-19, a semana passada foi marcada por outra notícia oriunda do governo, todavia, esta veio de um outro ministério: o da Justiça. Há três semanas, Sérgio Moro, famoso juiz da mega operação Lava Jato, que pediu exoneração na época do cargo de juiz federal, o qual ocupou por 22 anos, para assumir o de Ministro no governo Bolsonaro, naquele momento, o presidente falou em conceder “carta branca para o combate à corrupção”, o que não chegou a acontecer, Moro pediu exoneração no dia 24 de abril do cargo de Ministro da Justiça sob a alegação de que o Presidente da República tentou intervir na Polícia Federal.

O ex-ministro, em depoimento na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, citou uma reunião ocorrida em 22 de abril, cuja tinha o propósito de apresentar o programa Pró-Brasil de cunho econômico; na ocasião, Bolsonaro aproveitou e cobrou a substituição do superintendente da Polícia Federal do Estado Rio de Janeiro e de Valeixo, além relatórios de inteligência e informação da PF. Neste mesmo evento, a partir da transcrição da AGU, o presidente ainda disse ípsi litteris: “Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar f. minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança da ponta de linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira”. Fazendo entender que, se necessário fosse, demitiria até mesmo o ministro mais ilustre do seu governo até então.

A declaração revela que o presidente não só agiu para escolher um nome para substituir o superintendente da PF no Rio, como teve a ajuda do amigo Ramagem para recrutar nomes. Toda esta troca-troca tem como fundamento as operações da Polícia Federal que têm como investigados os próprios filhos do presidente. Carlos Henrique Oliveira de Sousa, ex-superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro, o qual é o atual diretor-executivo da PF, em seu depoimento que nesta quarta-feira (13/5), disse ter ciência de uma investigação no âmbito eleitoral na corporação envolvendo um familiar de Bolsonaro, no caso específico, o mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), trago aqui esta parte na sua integra a transcrição do depoimento feito: “Perguntado se tem conhecimento de investigações sobre familiares do presidente nos anos de 2019 e 2020 na SR/PF/RJ disse que tem conhecimento de uma investigação no âmbito eleitoral cujo inquérito já foi relatado, não tendo havido indiciamento”.

Sobre as acusações de querer interferir na Polícia Federal e após um dia da divulgação de trechos transcritos da reunião ministerial de 22 de abril pela AGU, Jair Bolsonaro se pronunciou dizendo aos repórteres que, conforme com o seu entendimento, o conteúdo divulgado não prova que ele tenha tentado interferir na Polícia Federal, contudo, admitiu nesta sexta-feira que falou a palavra “PF” na reunião ministerial. No entanto, ressaltou se defendendo que se posicionou para interferir em assuntos de segurança física de sua família, e não em temas de inteligência e investigações dentro da corporação, o que não faz sentido, visto que a competência para dar segurança a ele e aos seus familiares não é da Polícia Federal, e sim da GSI.

Sendo assim, todas estas acusações feitas pelo ex-ministro são de natureza gravíssimas e que podem ser objetos de um processo de impeachment contra o chefe do executivo federal, assim como ele poderá sofrer uma ação penal por crimes de responsabilidade e comuns. Em consonância com a Lei dos Crimes de Responsabilidade (Lei 1.079/1950), o presidente infringiu o artigo 9º, do 4 ao 7: (4) “expedir ordens ou fazer requisição de forma contrária às disposições expressas da Constituição”, (5) “infringir no provimento dos cargos públicos, as normas legais”; (6) “usar de violência ou ameaça contra funcionário público para coagi-lo a proceder ilegalmente, bem como utilizar-se de suborno ou de qualquer outra forma de corrupção para o mesmo fim”; e (7) “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”.
Além do artigo 9º, as acusações feitas podem ser encaixadas ainda no artigo 37 (muito famoso por vocês por eu divulgar tanto) da Lei Maior, em seu caput, em que estão transcritos os princípios da administração pública, a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a publicidade e a eficiência. Nesta atuação, o presidente feriu de pronto os três primeiros princípios basilares da administração.

Acerca das acusações feitas pelo Moro, tramita no Supremo Tribunal Federal um inquérito para investigar sobre as prováveis interferências do Bolsonaro na Polícia Federal com a finalidade de barrar as investigações que recaem sobre a sua família, e sobre o vídeo da reunião, o relator do caso, ministro Celso de Mello, decidirá se torna público ou não o inteiro teor do vídeo até sexta-feira (22), uma vez que a segurança nacional também deve ser levada em conta. O Bolsonaro prima pela segurança e quer que apenas fatos relevantes ao processo sejam divulgadas, já a defesa de Moro deseja que seja divulgada na sua integralidade.

Por fim, lembro aqui quais as investigações em que os filhos do Bolsonaro estão sendo investigados segundo a BBC : Flávio Bolsonaro, senador (Republicanos-RJ): possível chefe de uma organização criminosa que atuou em seu gabinete na Assembleia Legislativa entre 2007 e 2018, e parte dos recursos movimentados no esquema foi lavada em uma franquia, e, de acordo com o blog Ipolitica, no domingo (17), a PF informou que investigará denúncia de um suposto vazamento da Operação Furna da Onça contra o senador e determinou que a polícia ouça Paulo Marinho; Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro (PSC): teve assessores nomeados em seu gabinete os quais nunca exerceram de fato essas funções. Esta investigação, que está sob sigilo, os promotores suspeitam a existência de um esquema de rachadinha. E por último, Eduardo Bolsonaro, deputado federal (PSL-SP): o qual é investigado pela CPMI das Fake News.

Leia mais...

UMA DATA PARA ESCOLHERMOS DE QUE LADO QUEREMOS FICAR

O dia 18 de Maio é o “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, esta data é uma conquista que demarca a luta pelos Direitos Humanos dessa parcela social, e tem como objetivo mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da luta em defesa dos direitos infanto-juvenil, direitos estes que tem ganhado novos contornos de violação com o isolamento social em decorrência da atual pandemia, exigindo assim, maior atenção de todos que tem o dever de protegê-los, para garantir a esse público o direito a um desenvolvimento de forma segura e livre de violência.

Esse dia foi escolhido porque em 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória (ES), um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o “Caso Araceli”. Esse era o nome de uma menina de apenas oito anos de idade, que teve todos os seus direitos humanos violados; foi raptada, estuprada e brutalmente assassinada por jovens de classe média alta daquela cidade. O caso nunca teve uma resolução definitiva, mas a mobilização social serviu para a criação da Lei Federal n. 9.970, que estabeleceu a data como dia de combate à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes, promovendo atos de mobilização social e política para a conscientização sobre o assunto em todo o país.

É importante destacar que o atual contexto de distanciamento social torna ainda mais preocupante o quadro de violência contra crianças e adolescentes, pois, na grande maioria dos casos, a infância é violada no próprio ambiente familiar, por quem tem o dever legal de protegê-los. E diante desta pandemia, que trouxe a necessidade de isolamento social, o risco para crianças ainda se torna maior, pois estão convivendo mais diretamente com o agressor e estão mais invisíveis, sem os laços de confiança mais comuns para a efetivação da denúncia, como professores, cuidadores, outros familiares. Outro tipo de violência sexual que tem preocupado bastante nesta época, é a que ocorre nos ambientes virtuais, crianças e adolescentes mais tempo conectados à internet e superexposição muitas vezes sem nenhuma supervisão de adultos.

Portanto, as famílias, primeiramente, devem estar mais atentas ao dia a dia de suas crianças, intensificando as orientações e diálogos e buscando ajuda quando necessário. É importante também, que educadores, mantenham um canal de comunicação com suas turmas e que utilizem estes espaços para abordar o autocuidado. Mas só haverá êxito nesse enfrentamento, se houver uma rede de proteção articulada, com fluxos e procedimentos definidos; um Conselho Tutelar atuante; um CMDCA que entenda seu papel; uma gestão municipal que saiba o que é destinação privilegiada de recursos públicos; fiscais da lei que cobrem a efetivação de leis como: “Lei do Minuto seguinte e “Lei da Escuta Protegida”; e um Sistema de Justiça eficaz.

Além disso, é fundamental que Qualquer pessoa que tiver suspeita ou conhecimento de alguma criança ou adolescente que esteja sofrendo violência sexual, ou qualquer violação de direito, denuncie. Os principais canais de denúncia são: o DISQUE 100 (Direitos Humanos), conselho tutelar e autoridades policiais. Denúncia é dever de todo cidadão que identifica ou apenas suspeita de uma situação de violência. Caso contrário estará escolhendo o lado do agressor.

Que este dia seja mais que uma data rememorativa, mas que, de verdade, nos leve a compreensão da nossa corresponsabilidade enquanto sociedade, para atuarmos junto com a família e o estado na proteção dos direitos das crianças e dos adolescentes, e todos assumirmos o compromisso no enfrentamento da violência sexual, promovendo e se responsabilizando para com o desenvolvimento de crianças e adolescentes de forma digna, saudável e protegida, livres do abuso e da exploração sexual. Fazendo de todos os dias 18 de maio!

Robenilson Torres é Advogado, Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil / Subseção de Itabuna. Ex conselheiro Tutelar no Município de Itabuna.

Leia mais...

A FARSA DA ABOLIÇÃO ESCRAVOCRATA NO SUL DA BAHIA E OS DESAFIOS DA JUVENTUDE NEGRA

Você acha justo uma mulher estuprada por anos, até décadas, carregar o sobrenome, as cicatrizes psicológicas e frutos materiais de quem a estuprou? Pois é essa analogia cruel que muitos historiadores e sociólogas utilizam para falar da crueldade do escravismo brasileiro e sua continuidade com outros nomes hoje em dia.

A lembrança datada em treze de maio, uma ação dos escravocratas brasileiros para impedir o avanço das organizações negras que se movimentavam organizando negras e negros, é uma lembrança repudiada por todas as pessoas que tem o mínimo de consciência negra, letramento racial e leitura antirracista.
Esse conteúdo é para essas pessoas e também para as herdeiras dos frutos materiais de séculos de escravismo.

Escravismo aceito pelo poder público, igrejas, grande mídia e tantas estruturas sociais e econômicas da época. E sim, estou falando dos sobrenomes que hoje dominam a política e economia brasileira herdeiras desses séculos de sangue, suor, saúde, tempo e energia negra. Vida negra.

Nada novo sobre o sol saber que o Brasil nunca teve projeto de país para gente negra, pobre, que é a maioria populacional. No sul da Bahia em que vivemos é o mesmo cenário. O único projeto existente é o de um país das desigualdades por que beneficia minorias herdeiras do escravismo sul baiano brasileiro.

É importante rememorar que o sul da Bahia é historicamente o berço de inúmeras revoltas e rebeliões que estavam espalhadas pelo Brasil colocando na mão da população negra brasileira os rumos do país. Esses levantes são os reais motivos da existência da lei áurea sancionada pelo poder escravocrata brasileiro em treze de maio de mil oitocentos e oitenta e oito. Lei essa que foi seguida de dezenas de outros decretos para impedir que essa população negra tivesse direitos e acesso a direitos como sua própria organização política, moradia, terra, educação e dignidade. A população negra antes usada como mercadoria e principal fonte de mão de obra para construir esse país, após treze de maio continua a ser vista como problema do estado brasileiro que permanece negando direitos e acesso a serviços de emancipação.
A abolição sim é uma grande farsa que se reflete no sul da Bahia na atual existência de municípios construídos com o suor negro, com sua maioria populacional de pessoas mergulhadas na pobreza e desigualdade sociais, econômicas e políticas. De Canavieiras, Una, passando por Ilhéus, Itabuna, Uruçuca, Ubaitaba e tantas outras cidades desta região, estão as riquezas sul baianas nas mãos das minorias herdeiras do escravismo-cacauicultor.

Nenhum desses municípios tem em seus poderes públicos projeto de cidade. O que temos é a manutenção do poder herdeiro escravocrata sul baiano nas prefeituras delas. Com raras e momentâneas exceções.
As juventudes negras empobrecidas e mergulhadas nas desigualdades, dessas cidades do sul da Bahia têm um grande desafio a frente. Tomarmos os espaços negados às nossas ancestralidades. Sejam espaços nas universidades e instituições públicas (UESC, UNEB, UFSB, IFBA, etc), sejam espaços da política (Câmaras de vereadores, prefeituras, secretarias, etc), espaços nas instituições democráticas (Judiciário, igrejas, sindicatos, etc) e criarmos uma correnteza de emancipação de nossas comunidades periféricas. Se, somos as maiorias populacionais devemos nós pessoas pobres e negras decidir os rumos das políticas públicas e dinheiro público de nossos municípios, ou não é de nossas vidas que são sugadas cada centavo de impostos?
A juventude negra não pode ser destinada apenas ao mercado comercial do tráfico de drogas nem a sermos ovelhas cegas dos mercadores da fé existentes em nosso sul da Bahia.

A juventude negra pode mais e temos capacidade para isso. Nossos antepassados construíram nações como palmares, um país liberto e democrático, neste Brasil, a nação de Quariterê e tantos e tantos quilombos que negavam o escravismo, buscavam a mata atlântica e construíam verdadeiras cidades com suas próprias economias, regras sociais e política.

Portanto assim como as descendências de Aqualtune e Dandara de palmares, Zumbi, Luiza Mahin e Luis Gama, romperam com a cultura escravocrata, nós juventude negra no sul da Bahia, temos o potencial de romper com as cicatrizes psicológicas e frutos materiais do escravismo-cacauicultor e escravismo-açucareiro ainda presente em nossas narrativas culturais municipais. Somos jovens herdeiros da ousada rebelião de humanos escravizados no engenho de Santana em mil setecentos e oitenta e nove que queriam paz e não guerra, queriam terra pra viver e sobreviver e não o açoite e queriam brincar, folgar, cantar ao invés da escravidão.

As juventudes das cidades do sul da Bahia, não são descendentes de escravos. Somos descendentes de seres humanos, reis, rainhas, príncipes e princesas em áfrica, realezas que foram escravizadas.

Marcolino Vinicius Vieira é Ilheense, graduando em Gestão Pública pela Universidade Salvador, Bacharelando em Humanidades pela Universidade Federal Internacionalista (UNILAB) e Evangélico Coordenador Nacional dos Cristãos Contra o Fascismo.

Leia mais...

O LOCKDOWN E O EQUILIBRIO EMOCIONAL DO CIDADÃO

O homem na sua essência nasceu para ser livre, e qualquer ação que venha restringir a sua liberdade, causa revolta, medo e até mesmo certo desequilíbrio emocional.

Tenhamos como exemplos às lutas pela liberdade, em todos os âmbitos, que aconteceram e ainda acontece em todo o planeta. O termo “Lockdown”, apareceu junto com a pandemia de Coronavirus, e tem sido usado com frequência nos sites de noticias, nos últimos dias. Porém, poucos entendem o que realmente significa. Na verdade, é um termo em Inglês, que traduzido tem o significado de “confinamento”, e deve ser entendido como uma prática de regras rígidas de isolamento social, durante a pandemia que estamos vivenciando.

Esse confinamento e distanciamento social é uma situação inédita para muitos de nós, na verdade pouca gente viveu alguma situação parecida em pleno século XXI, é algo que parece filme de ficção, coisa que assistimos no canal da moda, a Netiflix. Se o confinamento social já deixa o homem em desconforto, apresentando picos de stress, desequilíbrios e neuroses, imagine agora se for implantado o tal do Lockdown. Em tempos de Covid19, restringir a liberdade, colocará o homem em duvida do seu próprio livre-arbítrio e das garantias Constitucionais e é essa dúvida que poderá desencadear as neuroses e desequilíbrios mentais.

Para muitos de nós, criados nas asas da liberdade, uma ação de restrição, por lei, com sujeição de penas e multas, nos leva a imaginar que estamos presos em plena ditadura, e isso, poderá desencadear revoltas, brigas e principalmente, o desafio as ordens das autoridades judiciais. Para alguns juristas, esse tipo de ação, é extremista, mesmo nesse período de pandemia. Para nós psicólogos, é um perigo muito grande, para as mentes que estão acostumadas a irem e virem quando querem. Esse choque pode provocar grande desequilíbrio mental e acarretar muitas doenças neurológicas ao homem.

O próprio Código Penal, em seu artigo 268, nos fala que desrespeitar a lei, pode acarretar penalidade criminal pois: “Infringir determinação do poder publico, destinada a impedir introdução ou propagação de doenças contagiosas, com pena de detenção de até um ano.” No entanto é a fiscalização do cumprimento dessas determinações que acarretam distúrbios emocionais e até mesmo sociais. Pois, em alguns lugares as forças policiais municipais e estaduais, usam de força bruta para se fazer cumprir a lei. Até mesmo a OMS (Organização Mundial de Saúde), órgão regulador e a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos tem se posicionado contra algumas ações policiais para coibir os que desobedecem as restrições impostas pelo Lockdown, em alguns Estados brasileiro.

Para muitos, por pior que seja a crise que estamos vivendo, o Estado possui mecanismo para enfrentar essa pandemia, sem que seja necessário entrarmos em um regime de exceção. No Lockdown as pessoas que estavam acostumados ao ir e vim, só poderão ir às ruas se forem fazer compras em supermercados, mercearias e farmácias ou aqueles que estão trabalhando em atividades essenciais. Tentar parar o avanço de uma doença, não dar o direito aos governantes de criarem outras e bem mais grave, que é a doença mental. O que estamos vendo é uma herança deixado por aqueles que vivem sem olhar periférico, querendo um enfrentamento total, sem avaliar as consequências do que fazem. O terror implantado pela própria imprensa, os casos alarmante falados sem trégua e agora a restrição dos direitos, deixara, quando tudo terminar, uma geração de pessoas inseguras, e uma grande parte com distúrbios mentais.

Leia mais...

NOS GRITOS DE PORCINA OU NO MEIO DA SUCATA, CADÊ REGINA ?

Por Rafael Guirra*

Assim como Roque, o santeiro, quem estava oculta surgiu. Regina Du (a arte se retirou, como já sabemos) é daquelas personalidades que não se apagam quando somem, ao contrário, quanto mais voz lhe é dada maior o eco do seu desvalor. Talvez tenha se apossado do fervoroso espírito da Viúva Porcina e passou a crer que a ideia deva ser lançada no grito e, ainda mais sintomático, ligada ao todo poderoso de palavras reduzidas a “tô certo ou tô errado?”.

Normalmente ele está errado, mas ninguém o ouve, por isso chacoalha o relógio, para que seja mito e não homem, que suas expressões sejam caricaturas em vez contribuição. Dos figurinos já usados por Regina, hoje escolheu especialmente o que mais lhe molda: o senso comum. Suas falas se resumem em textos prontos, frágeis, carregados de torpezas às quais ela insiste em fantasiar de humildade e que são, em suma, inaptidão.

É então que o longevo codinome de “namoradinha do Brasil” se desvela, considerando que Regina muito se afasta do perfil pulsante e destemido de uma rainha da sucata e se reduz a um estandarte de bela imagem a ser apresentada para a família. Ora, talvez seja dessa noção distorcida de família, na qual a mulher não interfere nos assuntos do chefe da casa, que advém a sua omissão em relação à cisão que ocorre no seu núcleo; cisão esta pautada em acusações graves sobre ilegalidades capazes de transformar o seu abrigo em uma grandiosa selva de pedras.

Ainda sobre os lugares-comuns pelos quais passeou, forçoso dizer que a frivolidade é sua razão de ser e estar. Somente uma política de horizontes pequenos travaria o silogismo “Regina fez novela – Novela é Cultura – Regina fará cultura”. E assim fizeram. Ocorre, Regina, que não é quem comanda a pasta (ou quem a adorna) que faz a cultura, e isso merece um longo debate. O seu papel é promover políticas de incentivo à cultura, possibilitar e potencializar uma matéria prima que está viva e que é feita de carne, osso e, sobretudo, alma.

Tamanha complexidade só é possível com o domínio da missão e para isso, vale ser didático. Assim como o ator que sobe ao palco e vê, antes do espetáculo, dois tecidos que formam uma cortina, é preciso enxergar dois panoramas que norteiam a cultura no país. O primeiro é a sensibilidade para compreender que a cultura, as tradições locais, as manifestações artísticas e outros fazeres da sua alçada se fazem em cada esquina, em cima de caixotes, em paus-de-arara, debaixo das lonas.

A maioria dos artistas trabalham exaustivamente e eles não são globais, não tem luxuosos camarins ou o mimo de receber seus textos no ponto eletrônico, por isso não podemos desperdiçar o tempo que a senhora alega se dedicar tanto sem obter qualquer resultado. O segundo, e talvez mais inquietador, é o negacionismo do passado trágico que vivemos e que nos ronda na atualidade.

Não soa ingênuo, Regina, alegar que a Cultura está acima de qualquer partido. Não é preciso grande esforço para ver que ela é constantemente sufocada pelo poder e só consegue emergir, de maneira relutante, se conquistar espaço. Digo isso porque viemos de um histórico de censura, repressão e uma distorção que por ser política e social, é também cultural. A cultura não estava acima de partido quando exilou e prendeu Gil, Caetano, Paulo Freire, Paulo Coelho e continua não estando quando censura Letícia Sabatella ou chama Fernanda Montenegro de sórdida.

Estranho, Regina, que lhe pesem as costas os ossos dos nomes fundamentais para a identidade nacional, haja vista as homenagens aos que partiram serem ponto marcante da nossa cultura o que nos leva a crer que não sejam os ossos que incomodam, mas os fantasmas da consciência. Você não conheceu Aldir Blanc, não lamentou por Migliaccio, Moraes, Fonseca; não aceitou a crítica de Maitê e pediu que ela a fizesse para o seu celular, você não sabe diferir público e privado; você se assume lavajatista fanática mas se ofende ao ter gravações íntimas reveladas; você não respeitou colegas ao colocá-los ao seu lado num painel do desgoverno e da descultura; você desconhece a Funarte e a Ancine; se submete a um comando insindicável e ostenta falas sobre democracia. Regina, por amor, compreenda que o Brasil precisa reconhecer os que deram a alma e os ossos para chegarmos aqui, ossos que tu insistes em renegar. Não basta olhar para a frente com uma falsa alegria, como se vivêssemos nas paisagens serenas de Copacabana das novelas de Manoel Carlos. Nós não precisamos da sua apatia e do jeito Helena de ser. Cadê você, Regina?

*Ator; Graduando em Direito pela UESC; presidente do Instituto Macuco Jequitibá

Leia mais...

ECOS DO SILÊNCIO

Por Rosivaldo Pinheiro

Itabuna e Vitória da Conquista têm, hoje, uma mudança no modelo regulatório de urgência e emergência estadual com um redesenho das centrais do interior. O processo de descentralização dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia, iniciado no governo Jaques Wagner, sofre um recuo, voltando a ser concentrado na capital do estado. O modelo que perdurou até às 7h desta quarta-feira, 6 de maio de 2020, encerrou-se junto com o seu último plantão, passando agora a funcionar com outra configuração, o Núcleo Regional de Apoio à Gestão de Regulação.

A central de regulação de urgência e emergência funciona todos os dias, de domingo a domingo, 24 horas por dia, inclusive durante os feriados. Todos os fluxos pertinentes à busca por vagas e outras autorizações de acesso à alta complexidade, antes realizados nas centrais de Itabuna e Conquista, serão agora resolvidos diretamente na Central Estadual de Regulação – CER/SESAB, em Salvador.

(mais…)

Leia mais...

OS HOMOSSEXUAIS FINALMENTE PODERÃO SER DOADORES?

O vírus do HIV foi visto pela primeira vez em 1981, nos Estados Unidos, pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças. Nos primórdios da sua proliferação , acreditava-se que esta doença se contraia exclusivamente entre as pessoas que tinham relações homossexuais e drogados que compartilhavam seringas ao usarem drogas injetáveis, uma vez que os primeiros casos identificados tinham este perfil, no entanto, este estigma perdura até os dias atuais. Passado mais de 30 anos, este rótulo (por mais que se informe amplamente na grande mídia de que qualquer pessoa que não se preserve devidamente na hora da relação sexual possa contrair a doença) persiste, e ainda contribui para a discriminação entre as pessoas LGBTQIA+, dificultando assim a promoção de direitos à igualdade, à liberdade, e de respeito a estas pessoas.

No feriado do dia 1º, a Suprema Corte deu continuidade ao julgamento do impedimento dos homossexuais doarem sangue. Este caso está em tramitação desde 2017, quando o ministro Gilmar Mendes pediu vista para analisar melhor o processo. Na sexta-feira, a maioria dos ministros: 6 dos 11 ministros, já se pronunciaram contra o impedimento imposto pela Anvisa e pelo Ministério da Saúde. Todavia, o julgamento está previsto para se encerrar ainda no dia 8 de maio, próxima sexta-feira, desta forma, os ministros ainda podem mudar de opinião, e os outros devem dar o voto até esta data . Além do magistrado Gilmar, também votaram contra: Édson Fachin, Luiz Fuz, Rosa Weber, Barroso, e o Alexandre de Morais fez uma ressalva de que o sangue coletado deve passar primeiro por testes antes de doar para os casos em que a pessoa homossexual teve relação sexual num período de 12 meses.

A Anvisa e o Ministério da Saúde mantém estas proibições por razões de que estes sangues doados por homossexuais devem passar primeiro por testes, o que custará caros para os cofres públicos; o outro motivo ainda mais preconceituoso, versa que existe a ideia de que há maior incidência de HIV entre esses grupos, o que causaria um aumento significativo de risco de infecção a pessoa receptora do sangue doado. Ambas as ideias não fazem mais sentido em existir, visto que as pesquisas mostram que a realidade de 2020 é completamente diferente ao cenário que tínhamos na década de 80 e início dos anos 90.

Segundo o Ministério da Saúde, os relatórios do último boletim epidemiológico do HIV/Aids comprovaram que 73% dos novos casos de HIV em 2017 ocorreram entre os homens. Em 2017, um em cada cinco novos casos de HIV estão entre jovens de 15 a 24 anos. A taxa de detecção de AIDS entre os homens na faixa etária de 20 a 24 anos cresceu 133% entre 2007 a 2017, elevando de 15,6 para 36,2. De acordo com o site Mega Curioso, entre 1996 e 2006 a transmissão entre as relações heterossexuais saltou de 43% para 62%; já os dados da AIDS no Brasil de 2010 demonstram que a exposição ao vírus entre 1980 a 2010 foi muito maior entre os heterossexuais (30,5%), contra os homossexuais (20,1%). Um filme que ilustra bem a situação é Clube de Compra Dallas que conta a história de um eletricista, Ron Woodroof, e que é heterossexual, o qual contraiu a AIDS ainda na década de 80.

A Lei Maior, segundo o artigo 3º, em que se encontra os objetivos a serem alcançados pelo Brasil diz assim: “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: (…) IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”; assim também versa o caput do artigo 5º em que se encontra a seguinte redação: “todos somos iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (…)”. Esta expressão: “ de qualquer natureza” já inclui a distinção pela sexualidade. Sendo assim, é vedado ao Estado negar qualquer direito por motivos da orientação sexual da pessoa, uma vez que a ideia de grupo de risco já não condiz com a realidade do século XXI, e, ao invés deste conceito ultrapassado de grupo de risco, hoje se fala em comportamento de risco, ou melhor dizendo: o risco se dará a depender dos parceiros sexuais que a pessoa possui, se estes contém ou não o vírus, é que vai determinar se você está mais ou menos exposto à contaminação.

Com a crise da pandemia pela covid-19, o número de bolsas de sangue e de plaquetas reduziu drasticamente nos hemocentros, e uma das razões é justamente este impedimento no qual o Ministério da Saúde e a Anvisa persiste em impor ao grupo LGBTQIA+. Em nota, o Ministério falou que: “O Ministério da Saúde informa que as regras estabelecidas na Portaria de Consolidação GM/MS n° 5, de 28/09/2016, que substitui a portaria n° 158/2016, visam, sobretudo, a segurança transfusional, permanecendo inalteradas”. E, através de de uma portaria da Anvisa, foi imposto que os homens os quais tiveram relações sexuais com outros homens nos 12 meses anteriores à doação não podem doar sangue. Porém, pelos dados acima já amplamente exposto, devo insistir de que esta postura não possui mais embasamento algum, não há como saber se qualquer pessoa que teve alguma relação sexual num período de 12 meses, tanto homossexual, quanto heterossexual, pode ter contraído a AIDS. Este fato só pode ser comprovado a partir de testes.

Visto que o estigma de que somente os homossexuais estão no grupo de risco da contaminação do HIV já deveria ter sido superado há muito tempo, não há razão alguma para continuar impedindo que os homossexuais possam ser doadores, se este preencher os demais requisitos gerais. Este julgamento poderá representar mais uma vitória na luta pela promoção de igualdade entre o grupo LGBTQIA+.

Leia mais...

REDUÇÃO DE SALÁRIOS DE AGENTES POLÍTICOS EM ILHÉUS

Por Carlos Mascarenhas*

Nos municípios temos como Agentes Políticos, aqueles que são investidos nos seus cargos por meio de eleição, nomeação ou designação, o Prefeito, o Vice-Prefeito, Secretários Municipais, Presidente da Câmara e Vereadores, e logicamente isto acontece também em Ilhéus.

A época é de crise, com as altas despesas com o combate ao CORONAVÍRUS complicando ainda mais as finanças municipais que já andavam complicadas, e não sabemos até quando este problema persistirá, portanto é hora de procurarmos opções para a redução das despesas da nossa prefeitura.

Os industriais e os industriários estão com suas rendas reduzidas, pois as fábricas estão paradas; os comerciantes e comerciários estão com suas rendas reduzidas, pois as vendas minguaram, e em muitos casos inexistem; os empresários de ônibus estão com suas rendas reduzidas, pois o transporte público está parado; os profissionais liberais estão com suas rendas reduzidas, pois perderam clientes; os professores municipais contratados estão com suas rendas reduzidas, pois segundo eu soube os seus proventos foram ou serão reduzidos em 50% por cento pela Prefeitura; os nossos artistas estão com suas rendas reduzidas, pois não temos espetáculos e portanto não temos bilheterias; e etc., etc., etc.

Não sei se a iniciativa deve ser do Prefeito ou da Câmara de Vereadores, mas acredito que já passou da hora de que os nossos agentes políticos também participem do esforço para o equilíbrio das finanças municipais, e tenham os seus proventos reduzidos entre 30 e 50%, como tem sido praticado em outros municípios do Brasil.

Senhor prefeito e senhor presidente da câmara, o que pode e deve ser feito para que os nossos agentes políticos também participem deste esforço em benefício do nosso município, e principalmente daqueles cidadãos que estão na base da nossa pirâmide social?

*Economista

Leia mais...

EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE ISOLAMENTO SOCIAL: MUDANÇA DE ROTINA E DESAFIO PARA AS FAMÍLIAS

Não podemos discutir que o conceito de Educação envolve a participação efetiva da família na vida escolas de crianças e jovens. Acompanhar as atividades de casa, o rendimento de seus filhos na escola, participar das reuniões e buscar informações sobre a rotina de estudos das crianças são exemplos de como a família pode participar do cotidiano da escola, essa vivência em tempos comuns já é bastante desafiadora por si só. Porém, nesse momento históricos, em que tudo que estamos vivenciando é novo e complicado, os familiares estão sendo convocados a participar mais ativamente numa jornada acadêmica doméstica.

Com o avanço no novo coronavírus (covid-19), autoridades vem aumentando os prazos de isolamento social, e com isso a suspensão das aulas presenciais em escolas públicas e privadas vem se estendendo também. Essa nova dinâmica traz diversos desafios para as famílias que possuem crianças e adolescentes em idade escolar, uma vez que essas famílias não sabem como equilibrar a rotina de trabalho (muitos pais estão desenvolvendo suas atividades laborais em home office) com as crianças em casa. Não existe um manual de instruções que possa nos explicar como proceder nesse momento, entretanto é preciso que os responsáveis entendam que não estamos em período de férias, e transmita essa informação a seus filhos, o que a escola está trazendo nesse momento atípico é um novo formato para construção de conhecimentos.

Esclarecido esse primeiro ponto, a próxima “tarefa de casa” dos responsáveis é começar a transpor as barreiras que o conformo doméstico impõe quando o assunto é estudar: procrastinação, discussões, confusões, falta de paciência, frustação, sentimento de impotência, entre outros – se esse cenário é rotineiro, fica claro que as propostas de atividades de casa não é uma tarefa prazerosa para o alunos – A recepção dos pais em relação as atividades que seus filhos recebem influencia bastante no nível de interesse que essa criança irá desenvolver, se os pais acreditam que a atividade é “desnecessária”, seus filhos levarão em consideração esse juízo de valor e não lhe dará a devida importância. Sendo assim os responsáveis devem auxiliar seus filhos na resolução das atividades propostas pela escola, inicialmente com atitudes simples, como preparar o ambiente onde a família possa participar desse momento de construção de conhecimentos. Atitudes simples, como desligar a televisão e o celular – tanto da criança quanto dos pais – contribuem substancialmente na manutenção da motivação dessa criança para a realização da tarefa de casa.

Os desafios para os atores envolvidos na Educação são imensos, não podemos negar, nesse momento em especial podemos notar que as famílias estão tendo muitas dificuldades em estabelecer uma rotina de estudos para suas crianças e ao mesmo tempo equilibrar os afazeres dos pais e os momentos de descanso – sem falar que é preciso buscar também alternativas de lazer para tornar o isolamento social mais leve. Diversos teóricos da Educação afirmam que é preciso fixar o mesmo horário que o aluno estaria na escola para a realização das atividades enviadas pela escola ou disponibilizadas de forma virtual. Levando sempre em consideração que a criança deve estar envolvida na formulação dessa rotina, informando como seria sua dinâmica no ambiente formal de educação, seus horários e pausas.

Criando uma rotina de estudos em parceria com seus filhos, os pais incentivam essas crianças e jovens a desenvolverem um senso de responsabilidade e serem conscientes de seus afazeres. Os pais precisam estar atentos a agenda estabelecida pela escola para as atividades diárias de seus filhos, podendo fazer determinados ajustes para que sua rotina também seja respeitada, haja vista que a rotina escola não deve interferir na rotina doméstica e vice-versa. Essas rotinas devem ser respeitadas para que sejam facilmente readaptadas com a regularização da situação escolar.

Como dito anteriormente, não existe um manual de instruções que nos auxilie nesse momento que estamos vivendo, é uma situação muito nova tanto para os envolvidos no contexto escolar, quanto para pais e filhos. É importante que não nos apeguemos a excessos, e muito menos promovamos estratégias de construção de conhecimentos que gerem mal-estar ou enfado nas crianças e adolescentes que já estão completamente deslocados fora de uma rotina de estudos. É preciso nesse momento respirar fundo, ouvir e ajudar a escola, estreitar nossos laços familiares e ajudar nossas crianças a passar por essa situação com calma, respeito e esperança em tempos melhores para todos, por enquanto essa é nossa principal lição!

Leia mais...

SOBRE O CASO DO MODELO NA TURQUIA QUE SOLICITA A REPATRIAÇÃO

A carreira de modelo muitas vezes pode ser associada à fama, fortuna, prestígio, viagens internacionais e glamour. Porém, não foi o caso do jovem de 28 anos, soteropolitano, Carlos Henrique Santos Netto. A oportunidade de desfilar nas passarelas internacionais o levou à Turquia, país integrante do oriente médio. O que para muitos adolescentes e jovens parece ser um sonho, o modelo e tatuador conta que a realidade pode ser bem diferente daquele que é idealizado por muitas pessoas.

Em vídeo gravado, ele conta que, por meio de uma agência, concordou um trabalho de 3 meses fora do continente, todavia, ao chegar lá, encontrou-se em uma situação difícil, pois a agência em que trabalhava ficava com metade do valor percebido pelo trabalho do rapaz, e o que conseguia mal dava para custear as despesas de lá, o que o levou a trabalhar nas horas vagas como tatuador. Com a pandemia, a situação que já não lhe era favorável, piorou muito: os contratos dos desfiles foram rescindidos como também não pode mais trabalhar no seu segundo emprego.

(mais…)

Leia mais...