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CENÁRIOS DA PESQUISA IPEC A SEREM OBSERVADOS

Por Cássio Varjão*

Um dos grandes desafios para os que iniciam o ofício de cientista é estabelecer o elo entre os modelos abstratos, gerados pela ciência, e a prática de pesquisa. Como estabelecer a ponte entre a teoria e a prática de pesquisa? Observar de forma correta é o primeiro passo para quem deseja fazer ciência com responsabilidade e ética.

A pesquisa Inteligência Pesquisa e Consultoria Estratégica (IPEC) – instituto criado por profissionais do antigo IBOPE, sob a coordenação de Marcia Cavallari – amplamente divulgada ontem, 16 de agosto, que era aguardada com expectativa sobre os reflexos, nas pesquisas presidenciais, das PEC’s dos benefícios sociais e do ICMS sobre os combustíveis, trouxe os seguintes números para o primeiro turno: no cenário estimulado: Lula/PT 44%; Jair Bolsonaro/PL 32%; Ciro Gomes/PDT; 6% Simone Tebet/MDB 2%; Vera Lúcia/PSTU 1%; brancos e nulos 8% e, não sabem ou não responderam, 7%. No cenário espontâneo, o resultado foi: Lula/PT 41%; Jair Bolsonaro/PL 30%; Ciro Gomes/PDT 3%; brancos e nulos 9% e, não sabem ou não responderam 16%. Outros candidatos não pontuaram. No cenário de rejeição dos dois primeiros colocados, Jair Bolsonaro/PL tem 46% e Lula/PT tem 33%. A pesquisa foi realizada entre 12 e 14 de agosto, em todas as regiões do país, ouviu 2 mil eleitores, com margem de erro de dois pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%, ou seja, se a pesquisa for realizada com os mesmos critérios 100 vezes, em 95 oportunidades dará o mesmo resultado.

Para o segundo turno Lula/PT tem 51%, Jair Bolsonaro/PL tem 35%, brancos e nulos 9% e, não sabem ou não responderam 5%. Brancos/nulos e não sabem/não responderam, cai de 15% para 14% entre os dois turnos. O candidato do PT sobe 7% e Jair Bolsonaro/PL sobe somente 3%. É o primeiro presidente da república, buscando a reeleição com menor aumento percentual entre o primeiro e o segundo turnos.

Nesse sentido, primeira observação a ser feita é a de que a suposta terceira via, que muitos desejaram ver acontecer, tem as mesmas chances de crescer como um disco voador pousar no heliponto do Palácio do Planalto. Como em 2014, que um avião caiu e, de certa forma, influenciou no resultado das eleições e, em 2018, a facada que o presidente Bolsonaro levou também interferiu no resultado final, não podemos afirmar que nada vai acontecer em 2022.

A segunda observação é que o espelho dos dois cenários, estimulado/espontâneo e convicção/rejeição tem correlação nas opiniões dos eleitores nos dois primeiros colocados. Na pesquisa estimulada/convicção a distância entre Lula/PT e Bolsonaro/PL é de 12% e, na pesquisa espontânea/rejeição, a distância é de 11% e 13%, respectivamente, equiparando-se dentro da margem de erro. No quesito espontâneo Lula/PT tem 41% e Jair Bolsonaro/PL tem 30%. A avaliação do governo para ruim ou péssimo é de 43%. Para 71% dos entrevistados seus votos já estão decididos. Percebe-se similaridade na correlação de todos os cenários.

A pesquisa IPEC também realizou pesquisas presidenciais nos seguintes estados: São Paulo (22,16% do eleitorado do país): Lula/PT 43% e Bolsonaro/PL 31%; Minas Gerais (10,41% do eleitorado do país) Lula/PT 42% e Bolsonaro/PL 29%; Rio de Janeiro (8,70% do eleitorado do país) Lula/PT 41% e Bolsonaro/PL 37%; Pernambuco (4,50% do eleitorado do país) Lula/PT 63% e Bolsonaro/PL 22%; e, no Distrito Federal (1,40% do eleitorado do país) Bolsonaro/PL 40% e Lula/PT 32%. A última vitória do Partido dos Trabalhadores, no estado de São Paulo, foi em 2002.

Por regiões, a pesquisa do IPEC ficou assim: Região Sudeste (45% do eleitorado do país) Lula/PT 39% e Bolsonaro/PL 33%; Região Nordeste (26% do eleitorado do país) Lula/PT 57% e Bolsonaro/PL 22%; Regiões Norte e Centro-Oeste (15% do eleitorado do país) Lula/PT 44% e Bolsonaro/PL 36%; e, Região Sul (14% do eleitorado do país) Bolsonaro/PL 39% e Lula/PT 36%.

No quesito renda, a aferição mostrou que: quem ganha até um salário mínimo, Lula/PT 60×19 Bolsonaro/PL; entre um e dois salários mínimos, Lula/PT 44×29 Bolsonaro/PL; entre dois e cinco salários mínimos, Bolsonaro/PL 41×32 Lula/PT; e, mais de cinco salários mínimos, Bolsonaro/PL 46×36 Lula/PT. 90% da população brasileira ganha até R$ 3.500,00.

O item escolaridade ficou assim: ensino fundamental, Lula/PT 53×25 Bolsonaro/PL; ensino médio, Lula/PT 42×35 Bolsonaro/PL; e, ensino superior Lula/PT 36×35 Bolsonaro/PL. Entre os sexos: as mulheres (53% do eleitorado do país) Lula/PT 46×27 Bolsonaro/PL; e os homens (47% do eleitorado do país) Lula/PT 42×37 Bolsonaro/PL. Religião: Católicos (50% do eleitorado do país), Lula/PT 51×26 Bolsonaro/PL; e, evangélicos, Bolsonaro/PL 47×26 Lula/PT. Cor da pele: Brancos, Lula/PT 39×35 Bolsonaro/PL; e, Pardos/Negros, Lula/PT 48×29 Bolsonaro/PL.

Durante essa semana (14 de agosto a 20 de agosto) ainda sairá a pesquisa do Instituto Datafolha, que também é aguardada com expectativas, tanto de um lado, confirmando os resultados da pesquisa IPEC, quanto do outro, dando esperanças a quem ainda acha que pode aumentar suas intenções de votos.

Finalizando, percebo que os dois primeiros colocados estão próximos de um teto. Após a retirada da candidatura de André Janones, do Avante, para apoiar Lula, o candidato do PT ganhou algo em torno de dois pontos e deverá se manter assim até o dia da eleição, salvo o chamado voto útil ou voto tático, que poderá vir de parte, principalmente, do eleitor de Ciro Gomes. O detalhe que me chamou mais a atenção, é o aumentando de somente 3% das intenções de votos para Jair Bolsonaro, do primeiro para o segundo turno. Segundo a pesquisa, 84% dos eleitores já tem seu voto definido, incluindo-se aí brancos e nulos. Destes, 71%, está entre Lula e Bolsonaro. Como o jogo só termina quando o juiz apita, tudo ainda pode acontecer.

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