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CINEASTAS BAIANOS INICIAM A PRODUÇÃO DE FILME SOBRE A IMPORTÂNCIA CENTRAL DE ITABUNA NA HISTÓRIA DO CINEMA BRASILEIRO

Os cineastas e produtores baianos, Fabricio Ramos e Camele Queiroz, iniciam, neste mês de dezembro, as gravações do filme “A Rua do Cinema Mágico”, cuja narrativa parte de uma história que nem todo mundo conhece: a importância central de Itabuna na história do cinema brasileiro, desde o Cinema Novo dos anos 1960 até a chamada retomada, na década de 1990.

Para Fabricio Ramos, itabunense radicado em Salvador, Itabuna assume um lugar importante, porém não bem considerado, na história de nosso cinema de maior reconhecimento internacional e importância cultural. Segundo o diretor, “Itabuna e o interior da Bahia mantêm, de diferentes modos, relações diretas com os filmes de peso na história do cinema brasileiro, desde ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’, do conquistense Glauber Rocha, e ‘Os Deuses e os Mortos’, de Ruy Guerra; até ‘Central do Brasil’, de Walter Salles, que disputou o Oscar de 1999, levando para Hollywood uma história cuja gênese é a vida da itabunense Socorro Nobre”.

Que história é essa?

Fabricio conta que viveu grande parte de sua infância e adolescência numa rua, em Itabuna, que tinha um cinema. “Morei nessa rua até os 10 ou 11 anos de idade, mas nunca me desliguei completamente dela”, diz. Trata-se das redondezas das ruas Cristinópolis e Travessa Francisco Benício, no centro da cidade, onde existia o Cine Teatro Amélia Amado, atualmente um galpão abandonado, e onde morava Socorro Nobre, a mulher cuja história inspirou a narrativa do filme “Central do Brasil”, de Walter Salles, um dos filmes mais premiados da história do cinema brasileiro.

“A mim”, Fabricio continua, “sempre me impressionou pensar naquela rua de Itabuna como uma rua de grande magia e grande tragédia, ligada ao cinema! Dali, nascem histórias que, por exemplo, sensibilizaram artistas como Frans Krajcberg e o próprio Walter Salles, histórias que inspiraram o filme ‘Central do Brasil’”.

Outros filmes marcos do Cinema Novo também têm histórias, de algum modo, ligadas a Itabuna. “Os Deuses e os Mortos” (1970) de Ruy Guerra, foi rodado nos municípios de Itajuípe, Ilhéus e também de Itabuna. Já “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber, foi financiado, segundo alguns relatos, por um playboy, filho de um cacauicultor de Itabuna! Ambos os filmes são marcos do cinema brasileiro.

Documentário ou ficção?

Fabricio Ramos e Camele Queiroz dirigiram juntos diversos filmes independentes que, para os autores, se estruturam a partir do método documental, mas valorizam a poética e a expressividade artística do cinema. Segundo Camele, “o cinema pode ser muitas coisas, há vários cinemas, mas mantemos viva essa visão do cinema como arte, mesmo filmando sob um método documental. Se buscamos o real, é porque a força dramática de nossos filmes vêm dessa busca das histórias que a vida mesma oferece. No nosso cinema, a arte consiste em sugerir emoções e não meramente em relatar fatos”.

Fabricio e Camele realizaram filmes premiados e de ampla circulação em festivais internacionais. O Circuito Saladearte, um dos principais circuitos exibidores de cinema cultural em Salvador, realiza, neste mês de dezembro, uma mostra com quatro filmes dos diretores. Serão sessões seguidas de conversas, exibindo filmes como “Muros” (2015), que relaciona Brasil e Palestina, e “Quarto Camarim” (2017), longa que estreou no circuito comercial em Salvador e foi exibido em cinemas culturais de quinze capitais brasileiras pela ABRACCINE – a Associação Brasileira de Críticos de Cinema, que elegeu o filme para o circuito alternativo de exibição e debates em 2018. Mas os diretores têm também um trabalho ativo na região do cacau: em 2014, filmaram em Ilhéus o curta “As Cruzes e os Credos”, que passou em festivais internacionais e também compõe a mostra da Saladearte, e realizaram em 2016, também em Ilhéus, a mostra Cine Odé – Cinema no Terreiro, que em parceria com o Instituto de Solidariedade Pedro Faria, exibiu filmes culturais dentro do terreiro situado no bairro Alto do Basílio.

“Todo filme que fazemos acontece como um intenso processo de descoberta”, define Fabricio, “e revisitar a rua em que eu mesmo vivi exprime uma das questões que mais nos mobiliza: como a sociedade deseja ver a si mesma? O cinema espelha a nossa sensibilidade cultural, revela histórias e inspira nosso imaginário social histórico, político”.

As gravações do curta acontecem na segunda quinzena de dezembro, em Itabuna. Os realizadores buscam parceiros regionais para apoiar a produção. “O projeto”, diz Fabricio, “foi contemplado por Edital de Cultura do Estado da Bahia, em 2019. Mas os recursos, baseados em orçamento defasado, necessitam de complementos”. Os cineastas têm procurado possíveis parceiros na região, que patrocinem a produção, em especial, no que se refere a despesas de hospedagem, alimentação e locação de veículo.

Fabricio destaca que “Itabuna, para nos atermos à sua história cultural, é o berço de grandes nomes reconhecidos na arte e na Literatura, como Jorge Amado, Hélio Pólvora, Adonias Filho (nascido no antigo Pirangi, mas uma referência também grapiúna). Glauber Rocha era de Vitória da Conquista e “foi citado como ídolo do diretor do filme vencedor do Oscar deste ano. É hora de mostrar que Itabuna também tem sua história profundamente envolvida no espírito do Cinema brasileiro”, brinca o diretor.

“A Rua do Cinema Mágico” será um curta metragem e terá estreia em Itabuna e em Salvador em 2023 em eventos com as presenças dos diretores. “Depois disso”, diz Fabricio, “é torcer para que as pessoas gostem e o filme para que ele apareça em outras telas, no Brasil e, quem sabe, lá fora ”.

Serviço:

Filme “A Rua do Cinema Mágico”, que relaciona Itabuna com a história do cinema brasileiro.

Flávia Ramos (Prod. Executiva): (71) 99284-4043

Fabricio Ramos e Camele Queiroz (diretores): (71) 98178-2879

Email: [email protected]

                                     

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