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DIGNIDADE SOCIAL PARA AS FAMÍLIAS QUE VIVIAM DO LIXÃO

Por Marcos Dantas*

Você sabia que 100 famílias se sustentavam do lixão na nossa cidade? A prefeitura de Itabuna tomou uma grande decisão ao determinar o fechamento do lixão, destinando os resíduos para um aterro sanitário. Esta é uma medida para se comemorar quando os assuntos são meio ambientes e políticas sociais.

Obviamente não aprofundarei nesse texto os impactos ambientais, tem muito especialista na cidade que pode falar melhor que esse humilde escritor, sendo assim, estarei abordando neste artigo o lado social dessa decisão. Não são 100 pessoas, são 100 FAMÍLIAS! Idosos(as), homens, mulheres, jovens e crianças, todos os dias ali naquele árduo trabalho de conseguir algo para vender, objetos que para outras pessoas já não possuem mais valor, e infelizmente até mesmo algum alimento que pudesse ser reaproveitado. O lixão que por muitas vezes nos passou desapercebido, representava a degradação do ser humano em estado puro e há cerca de 30 anos era assim! Pessoas que provavelmente não se viam desempenhando outra função a não ser aquela que “sobrou”, cada uma delas com uma condição para estar ali e uma história de exposição às doenças que provocam riscos incalculáveis e inevitáveis. Essa situação não parece ser inimaginável?

A Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza desenvolveu um plano de auxílio para essas famílias, que receberão R$700,00 e um aluguel social para as que além de tudo, também residiam no lixão. Uma atitude reconfortante e se atrelada ao planejamento das unidades de coleta, certamente essas famílias serão colocadas em empregos que estão em consonância com a dignidade da vida humana.

No artigo “Vulnerabilidade social e os desafios para a nova gestão em Itabuna”, abordei sobre a necessidade de o poder público estar atento, sobretudo em época pandêmica, às pessoas que vivem em vulnerabilidade social na nossa cidade. Ao imaginar escrever esse artigo, lembrei-me que de fato eu pouco me preocupei com as pessoas que viviam em condição da corrida pelo alimento através do antigo lixão. Hoje observo essa medida social como um marco necessário em nossa cidade. O desejo de todos(as) os(as) itabunenses é sem dúvida de que essas famílias estejam bem alojadas, continuem a receber os cuidados e as estruturas sociais para o bem viver de cada idoso, homem, mulher, jovem e criança que ali trabalhavam e viviam.

São 100 famílias que por muito tempo não foram vistas por boa parte da sociedade. Hoje recebem um olhar especial das políticas sociais e do poder público, numa atitude que demonstra como de fato a política precisa cuidar das pessoas.

*Marcos Dantas – Estudante de Ciências Sociais na UESC e Pesquisador da Socioantropologia do Consumo no Brasil.

1 comentário
  1. Magno Santana Diz

    Parabéns Marcos. Excelente a iniciativa do poder público, entretanto é extremamente relevante dar estrutura para que essas famílias não retornem.

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