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EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE ISOLAMENTO SOCIAL: DESAFIOS PARA TODOS

Por Richard Batista Silveira, Laysa Costa Ferreira e Maria Ligia Macedo

O novo corona vírus (COVID-19) obrigou o mundo a praticar o isolamento – ou distanciamento – social, fazendo com que muitos profissionais fossem deslocados de seus ambientes de trabalho e realizassem o chamado “home office”. A escola também se viu obrigada a alterar suas dinâmicas. Como uma tríade bastante definida, temos os professores se reinventando, a escola buscando alternativas para suprir as necessidades de professores e de alunos, e os pais que agora são colocados como atores principais no processo de construção de conhecimentos junto a seus filhos.

Um ponto importante que devemos levar em consideração é que nenhuma publicação acerca das dinâmicas educacionais nesse período de isolamento social pode ser generalizante ou apresentar um estado da arte. Tudo que vem ocorrendo até aqui é muito novo para todos os atores envolvidos no sistema educacional. Gestores e professores passaram anos discutindo de forma precária os conceitos como “sala de aula invertida” e “educação híbrida”, e de uma hora para outra são obrigados a aplicar todas essas teorias da “melhor forma possível”, trazendo para si uma gama de desafios a serem enfrentados.

Como dito anteriormente, não podemos generalizar nem mesmo os desafios, uma vez que a escola pública enfrentará muito mais problemas que as escolas particulares.

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira e do IBGE (2019) apontam que dos 45 milhões de estudantes assistidos pelo sistema público de ensino, cerca de 30% não possuem um computador (ou outro dispositivo equivalente) nem internet, muito menos um espaço adequado para estudar em suas casas. Alguns desses estudantes possuem um smartphone com internet pré-paga que muitas vezes é compartilhado com outros membros da família, pratica essa que infelizmente não assegura o aprendizado e a elaboração de uma rotina de estudos. Diante desse cenário, dificilmente podemos pensar numa equidade no processo de ensino e aprendizagem, o que fortacele ainda mais a desigualdade na educação.

O Conselho Nacional de Educação, por meio de uma conselheira, afirmou que a maior dificuldade no Brasil, assim como nos demais países, é a situação imprevisível em uma área que não tem tradicionalmente a cultura digital do trabalho remoto ou da educação à distância, isso é novo e complexo para quem trabalha com educação básica nas escolas públicas e particulares.

Gestores, professores, pais e estudantes de escolas privadas irão enfrentar desafios nessa nova dinâmica de Educação a Distância, mas são desafios amenizados pelas práticas que se tornaram cotidiano como a dificuldade em lidar com as plataformas de ensino, gestão do tempo, auxílio às dificuldades cognitivas de seus filhos, entre outros. Considerando que alguns desses pais também são vítimas do sistema econômico comprometido pelo isolamento social é importante ressaltar os problemas de cunho socioeconômicos que virão a ser enfrentados pelos estudantes das classes sociais mais baixas, haja vista que essas crianças e jovens, que se encontram em situação de vulnerabilidade, além de dependerem da educação ofertada, necessitam da alimentação oferecida pelas instituições públicas, uma vez que possuímos uma parcela de estudantes e familiares em situação crítica, onde faltam até mesmo elementos básicos para sua sobrevivência.

Departamentos de Assistência Social de algumas cidades da Bahia e até mesmo do Estado buscam alternativas para que esses estudantes sejam assistidos e não fiquem sem alimentação especialmente nesse período no qual os parcos recursos advindos dos trabalhos informais realizados por seus pais, não estarão mais disponíveis.

Por outro lado, não podemos deixar de (re)pensar nos desafios impostos aos professores nesse contexto de “home office”, pois, esses profissionais também são pais, mães e filhos. Muitos precisam cuidar de seus pais (idosos e, portanto, em situação de risco frente ao COVID-19), filhos e cônjuges; além de toda demanda cotidiana exigida desses educadores, eles ainda precisam criar uma aula dinâmica, interessante e interativa para seus alunos que irão o assistir via videoconferência em diversas plataformas disponibilizadas por escolas e sistemas de ensino.

Diante de tantos desafios, resta-nos outro e talvez o mais importante: a acessibilidade das plataformas de Ensino a Distância, uma vez que essas plataformas não preveem tecnologias assistivas para a inclusão de professores e alunos com necessidades de aprendizagem especiais, que pode trazer para o professor um desafio ainda maior e mais dispendioso ao tentar adaptar as suas aulas nessas plataformas, e para o aluno essa falta de recursos pode provocar, ao contrário do esperado, uma grande falta de interesse pelo fato de haver uma maior dificuldade de encontrar informações e a falta de compreensão dos conteúdos da estrutura dos ambientes de Ensino a Distância.

Em face de toda essa gama de desafios para a continuidade dos processos de ensino e aprendizagem, temos que compreender que educar não é apenas depositar conteúdos na cabeça dos estudantes, mas sim um diálogo entre todas as partes para uma melhor e mais eficiente prática de ensino e aprendizagem, considerando que construção de conhecimentos pode e deve acontecer em todos os ambientes, sejam eles formais ou informais, e a sala de aula excede os limites físicos da escola, se a escola é a “segunda casa”, a casa precisa ser uma eterna escola.

1 comentário
  1. Minervina Machado Diz

    Um fato grave: “45 milhões de estudantes assistidos pelo sistema público de ensino, cerca de 30% não possuem um computador (ou outro dispositivo equivalente) nem internet, muito menos um espaço adequado para estudar em suas casas.” Sou docente do município na cidade de ilhéus e posso afirmar com clareza que não de pode comparar o poder aquisitivo dos pais e alunos das escolas particulares e das públicas, nossos alunos passam necessidades imediatas críticas. Parabéns aos autores, muito pertinente essa análise.

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