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FAZER MAIS, EM MENOS TEMPO E SEM RECONHECIMENTO!

Por Charliane Sousa*

Na semana passada, eu concedi entrevistas a duas rádios, o que me fez recordar a minha trajetória na política e o quanto é difícil me manter nela. Ignorada por colegas na Câmara de Vereadores de Itabuna, perseguida pelo então prefeito, difamada pelo presidente do partido pelo qual me elegi, provocada por um blogueiro e um tanto insegura sobre os caminhos a percorrer… Mas, com muita certeza do que me fortalecia: a vontade de trabalhar pelo povo de minha cidade e de desagradar àqueles que me queriam fora do sistema.

Hoje, ainda me deparo com situações semelhantes, quando, por exemplo, alguns pré-candidatos tentam me desqualificar ao dizer: “Charliane? Candidata a deputada? Aquela ali não vai para lugar nenhum!!” Posições como essa, tentam deslegitimar minha candidatura. Mas, quem realmente conhece a minha luta como representante dos interesses dos itabunenses, é quem poderá validar a minha permanência e êxito na política.

Nós não vemos isso acontecer com candidatos do sexo masculino. É preciso provocar modificações na política, que segue há anos e anos favorecendo aos homens! É importante termos mais mulheres no poder, por uma questão de representação democrática. Somos mais da metade (52%) do eleitorado brasileiro, só que no espaço político os índices são infinitamente inferiores.

De acordo com a ONU, o Brasil ocupa o penúltimo lugar entre as nações da América Latina no quesito representatividade feminina. Isso se deve a vários fatores, como: violência política de gênero, falta de investimento para campanhas competitivas, maioria masculina nas direções dos partidos, uma legislação que permite manobras e a obrigação de cuidar da casa e da família.

É inaceitável que as mulheres, chefes de quase um quarto das famílias brasileiras, ainda ocupem tão poucos cargos eletivos. Nós movimentamos a economia, o mercado de trabalho, cuidamos de casa, dos filhos, da saúde e das finanças familiares… e está mais do que na hora de termos uma maior presença na política. É questão de direito, igualdade, e, mais do que isso, de reconhecimento da nossa capacidade.

Concluo esse artigo, citando uma frase de Charlotte Whitton, feminista e primeira prefeita de uma grande cidade do Canadá: “Das mulheres, exige-se que façam o dobro dos homens, na metade do tempo, e sem reconhecimento. Felizmente, não é difícil.” Com certeza, essa exigência marcou a minha passagem pela Câmara, me acompanha nos dias de hoje e acredito que ainda por algum tempo. Entretanto, o que eu e as mulheres brasileiras provamos diariamente é que realmente não é difícil cumpri-la. E, apesar dela ser injusta, nós conseguimos dar conta!

*Charliane Sousa é itabunense, mãe de Taiane Borges, formada em Ciências Contábeis, sócia proprietária da Ágape Contabilidade. Foi vereadora de Itabuna (2017-2020), candidata a prefeita (2020) e é pré-candidata a deputada estadual pelo PCdoB.

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