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ITABUNA COM QUALIDADE DE VIDA: É POSSÍVEL INTERLIGAR TODA CIDADE COM CICLOVIAS

Por: Roberto José (facebook: @robertojoseitabuna)

No texto desta semana quero trazer a discussão o uso de ciclovias e ciclo faixas como qualidade de vida e no modelo arquitetônico urbano citadino. Mas é importante dizer, que este artigo, faz parte de minha monografia de especialização em Engenharia de Tráfego, concluída há quatro anos.

Como diria, Enrique Peñalosa – ex-prefeito de Bogotá, para transformar as cidades será preciso uma mudança de paradigmas no contexto urbano das cidades, é preciso a inclusão de avenidas, é preciso mudar o conceito do que é uma rua: mais espaços para ônibus, ciclovias e calçadas.

Segundo dados do IBGE Municípios, Itabuna em 2018 tinha cadastrado a quantidade de 76.478 veículos automotores, se comparado a Ilhéus, cidade vizinha, que tinha no mesmo período a quantia de 42.463 veículos licenciados, Itabuna tem a mais que ilhéus 55,5% de veículos, entretanto, essa frota em Itabuna aumenta consideravelmente nos dias úteis, quando pessoas de toda região deslocam pra Itabuna em busca de serviço, nas faculdades privadas e pública, nas clínicas médicas hospitais, bancos, dentre outros serviços. Assim, vejamos o quadro abaixo, que representa o aumento da frota de veículos em Itabuna, entre 2006 a 2018.

Foto IBGE Cidades

Verificam-se que lentidão e engarrafamentos fazem parte da rotina dos motoristas da Cidade de Itabuna. Nos horários de pico, o trânsito praticamente fica parado, assim, para entender essa dinâmica, é importante verificar que no ano de 2006 Itabuna tinha uma frota de 31.850 veículos, já em 2018 passou a ter uma frota de 76.478 veículos, ou seja, em pouco mais de uma década a frota mais que dobrou, contudo suas as estruturas viárias permanecem exatamente a mesma, são anteriores a década de 1980, assim, faz-se necessário obras viárias estruturais, como viadutos, nova pontes sobre o Rio Cachoeira, passarelas de pedestres, para inserir Itabuna no século 21 e adequá-la as novas demandas de fluxo de pessoas e de veículos.

Figura Foto da Ciclo via da Avenida Fernando Cordier (Beira Rio Itabuna).
Foto Gabriel Oliveira

Uma proposta nesse sentido, para melhorar a fluidez do trânsito é o uso de ciclovias, que tem se tornado uma alternativa cada vez mais útil à mobilidade urbana, ao bolso, ao tempo, à saúde e ao meio ambiente. Grandes metrópoles que adotaram o uso das bikes como meio transporte têm colhido excelentes resultados e ganhado grande número de adeptos. A Política Nacional de Mobilidade Urbana (BRASIL, 2012), que tem força de Lei Federal, tem como uma de suas diretrizes a “prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados”, determinando que o uso de bicicletas deve ter prioridade sobre o uso do automóvel. A construção de ciclovias cumpre, também, uma das diretrizes dessa Lei, que determina ainda a “dedicação de espaço exclusivo nas vias públicas para os serviços de transporte público coletivo e modos de transporte não motorizados”, entre outras citações.

Foto Ilustrativa

Amsterdã (Holanda), por exemplo, é considerada a melhor cidade do mundo para se pedalar. Diariamente, cerca de 40% da população utiliza a bicicleta para trabalhar, 40% o transporte público e só 20% o carro. Um cenário de sonho para qualquer cidade que sofre com problemas de mobilidade urbana.

Foto proposta para Avenida Manoel Chaves Avenida (Pista 3) até o Bairro Santa Clara

Assim, para promover uma maior inclusão e uma maior mobilidade urbana, o projeto de ciclovias e ciclo-faixas, conforme figura abaixo, será de conectar os maiores aglomerados urbanos de Itabuna, a partir de ciclovias ou ciclo faixas, inicialmente interligando e ampliando a ciclovia do entorno da Avenida Beira Rio (Pista 2), com o Bairro São Caetano a partir da ciclovia da Avenida Princesa Isabel e criando uma nova ciclovia na Avenida Manoel Chaves (Pista 3) até o Bairro Santa Clara.

Figura: Projetos de ciclovias ou ciclofaixas interligando a malha urbana de
Itabuna
Autor: Roberto José

Depois construir a Pista 1 sobre o canteiro central da Avenida Amélia Amado, com a Avenida Ilhéus, que trará um fluxo dos populosos bairros de Fátima, Califórnia, São Roque e Santa Inez, levando essa ciclovia (Pista 4) até o Bairro Lomanto com ciclo-faixas na Avenida J.S. Pinheiro, que pode chegar até o bairro Urbis IV, conectando os bairros Morumbi, Jorge Amado, Sinval Palmeiras, Campo Formoso.

Foto/projeto: Ciclovias interligadas no Centro de Itabuna

Itabuna nos últimos 30 anos não teve grandes obras estruturais de mobilidade urbana, assim, fica cada mais difícil transitar no Centro da Cidade e nos bairros adjacentes, como é o exemplo do Bairro Jardim Vitória e seu entorno, desde a inauguração do Shopping Jequitibá em 5 de maio de 2000, o qual sofreu várias ampliações, o que forçou uma sinergia imobiliária e de negócio na região, assim precisamos projetar esta cidade para os próximos 50 anos, repensando seu modelo viário de transporte, bem como seus vetores de crescimento urbano, interligar toda cidades com obras estruturantes pra atrair mais investimentos, investir na expansão e na qualidade do transporte público urbano, bem como em ciclos vias e ciclo-faixas dos bairros periféricos para o centro da Cidade.
Enfim, os benefícios de uma cidade que investe em qualidade em ciclovias e ciclo faixas, tem como benefícios imediatos, a diminuição do número de carros nas ruas e, consequentemente, os congestionamentos e os índices de poluição; gera autonomia e facilidade de deslocamento; contribui para a atração dos centros urbanos; tem baixíssimo impacto poluidor na construção das vias; aumenta a qualidade de vida dos adeptos; e reduz o stress, gera emprego e renda, dentre outros.

Roberto José, possui Graduação em Geografia e Especialidade em Planejamento de Cidades pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), é Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), com ênfase em criminologia de ambientes. Especialista em Engenharia de Tráfego pela Uniyleia Brasília. Graduando em Direito pela UNIFTC Itabuna. É Policial Civil da Bahia. Tutor de diversas disciplinas da Secretaria Nacional de Segurança Pública – SENASP. Membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP. Membro da Associação Brasileira de Recursos Hídricos – ABRH. Consultor na área de gestão de espaço público, mobilidade urbana, espacialidade e violência, cultura e cidadania e análise estratégica de inteligência. Contatos: facebook: @robertojoseitabuna.

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