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MULHERES NO PODER

Por José Cássio Varjão*

Em homenagem ao dia Internacional das Mulheres, comentarei cronologicamente, a história de três grandes mulheres. A primeira, pioneira nos primeiros anos do século XX e as outras duas, na penúltima década, também do século XX.

1º de janeiro de 1929, Luíza Alzira Teixeira Soriano é empossada como a 6ª prefeita de Lajes, Rio Grande do Norte. Viúva e mãe de três filhos, aos 32 anos de idade ela conquistou 60% dos votos, numa época em que as mulheres não tinham direito ao sufrágio. Foi extremamente influenciada a disputar as eleições por Bertha Lutz, ativista feminina, bióloga, educadora, diplomata e política brasileira, filha de Adolfo Lutz.

Antes, em 25 de outubro de 1927, o Rio Grande do Norte foi o pioneiro ao deliberar através de lei estadual nº 660, segundo a qual, “poderão votar e ser votados todos, sem distinção de sexo, os cidadãos que estiverem aptos, de acordo com as condições exigidas por lei”, portanto, o primeiro estado a permitir o sufrágio feminino. Assim, Celina Guimarães Vieira se tornou a primeira mulher a votar no país. “Pela maior parte da história, “anônimo” foi uma mulher”. Virgínia Woolf.

Em 08 de setembro de 1928, o New York Times, dos EUA, na página 8, noticiou o feito de Alzira Soriano, como era conhecida, por ser a primeira mulher eleita através do voto na América Latina, oriunda de um país que ainda não havia permitido o sufrágio feminino. Só em 1932, através de novo lei eleitoral, foi promulgado por Getúlio Vargas.

Numa homenagem póstuma em 2018, a Câmara dos Deputados, concedeu a Alzira Soriano, o Diploma Mulher-Cidadã, que é destinado “àquelas mulheres que tenham contribuído para o pleno exercício da cidadania e para a defesa dos direitos da mulher e das questões de gênero no Brasil”.

Ferrenha opositora da ditadura militar (1964-1985) e apoiadora do Movimento Diretas Já, Maria Luíza Meneses Fontenele, aos 42 anos de idade, professora universitária e cearense de Quixadá, foi eleita prefeita de Fortaleza, a primeira mulher governante de uma capital no Brasil.

Nas eleições municipais de 1985, as pesquisas de opinião indicavam seu nome em terceiro lugar, atrás de Paes de Andrade e Lúcio Alcântara. A vitória de Maria Luiza foi celebrada como uma resposta das urnas ao governo José Sarney.

Mesmo com a popularidade baixa, vítima dos problemas financeiros deixados por administrações anteriores, pela falta de apoio do governo do estado e do governo federal, em 1987 ela ganhou o prêmio Prefeita de Expressão Nacional.

Nordestina, pobre e sem o charme das elites paulistanas, Luíza Erundina de Sousa, paraibana de Uiraúna, aos 55 anos é empossada prefeita de São Paulo, a maior cidade do Brasil e da América Latina, em 1º de janeiro de 1989.

Tido como o governo mais revolucionário em todos os tempos na cidade de São Paulo, Erundina inovou a administração pública da cidade em todas as áreas. Para a médica sanitarista Elzira Vilela, Diretora do Hospital Campo Limpo, “trabalhar com Luiza Erundina permitiu a realização de um sonho: levar à prática os princípios do Sistema Único de Saúde de universalização, hierarquização, equidade e participação popular nos serviços de saúde”.

Sua equipe de secretários era composta por profissionais como Dalmo Dallari, Paul Singer, Guido Mantega, Paulo Freire, Carlos Neder e Marilena Chauí.

Gostaria que os exemplos dessas três mulheres pioneiras, sirvam de inspiração para outras tantas, principalmente àquelas anônimas, que madrugam todos os dias para sustentar uma família e vencer as batalhas da vida. Mas não tem como esquecer das milhares de mulheres vitimadas por feminicídio no Brasil com tanta frequência. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2020 foram 1.350 vítimas, um caso a cada seis horas e meia. De janeiro a junho de 2021, foram 666 vítimas, uma a cada seis horas.

A Lei Maria da Penha já tem 15 anos que foi promulgada e, com a obrigatoriedade do isolamento social, provocado pela pandemia da Covid 19, as vítimas de violência doméstica foram forçadas a conviver mais tempo com seus agressores, elevando sobremaneira o número de ocorrências.

Pesquisa divulgada hoje, 07 de fevereiro, veiculada pela Folha de São Paulo, informa que dois terços das mulheres brasileiras sofreram assédio sexual em bares, restaurantes e casas noturnas no Brasil. A pesquisa foi feita para a marca de uísque Johnnie Walker e para a Women Friendly, startup responsável pela certificação de casas que se empenham em coibir o assédio sexual nas suas dependências.

Nesse 08 de março de 2022, desejo que outras Alziras, Marias e Luizas surjam, principalmente no cenário político nacional, renovando as nossas esperanças de um futuro mais digno, com menos violência e que aproveitem o ensejo para devolver ao local de onde saíram, esses seres abjetos, grotescos, misóginos e ginecofóbicos, que vivem a regurgitar asneiras. São valentes e demonstram superioridade quando falam e frouxos quando tem que prestar contas à justiça.

Citei Virginia Wollf no desenrolar do texto e concluo com Simone de Beauvoir, duas notáveis feministas. “Que nada nos limite, que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja nossa própria substância, já que viver é ser livre. Porque alguém disse e eu concordo que o tempo cura, que a mágoa passa, que a decepção não mata. E que a vida sempre, sempre continua”. Simone de Beauvoir.

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