Buerarema
Plansul
COLÉGIO JORGE AMADO
Pref ilheus junho
Ieprol

O COMUNISMO E AS PREGAÇÕES RELIGIOSAS

Por Cássio Varjão

O que escreverei daqui em diante não se trata de críticas ao cristianismo, como fez Nietzsche, que era ateu convicto. No livro O Anticristo, ele destila todo o seu veneno contra a religião cristã. Quem destruiu o império romano? Quem colocou no ostracismo todas as conquistas culturais e científicas dos gregos e dos romanos? Quem é responsável pela decadência, pelo declínio do mundo? Sua decepção, raiva, seu ódio e rancor são contra o cristianismo, sem distinção entre o catolicismo ou protestantismo. O que é ruim? Tudo que se origina na fraqueza. O que é bom? Tudo o que aumenta no homem o sentimento de poder. A resposta para o autor alemão é: o cristianismo.

Nos últimos anos, tenho observado vários líderes religiosos, sem distinção hierárquica, sejam eles católicos, protestantes ou evangélicos, pregarem nas suas rezas ou orações, citações contra o comunismo. Naturalmente, nessas falas não há quaisquer ligações entre o Marxismo e a Religião, não se trata de nenhuma manifestação filosófica que busca explicar as diferenças que historicamente existem entre elas. Simplesmente proferem “Livrai-nos do demônio do comunismo, Senhor!”, com pouco ou nenhum embasamento histórico. Vivem na antessala do conhecimento.

A crença de que o Brasil já correu, e ainda corre, o risco de virar um país comunista, sempre foi exacerbadamente exagerada e alarmista, criando um ambiente de medo e insegurança na população, sendo propagada por correntes conservadoras, contra qualquer tendência de esquerda. O objetivo é justificar a implementação de medidas de caráter autoritário, teoricamente necessárias no combate à suposta ameaça.

Para o historiador Rodrigo Patto Sá Motta, doutor em história pela USP, o Brasil nunca esteve perto do comunismo, nem mesmo em 1964, ano do início da ditadura militar. Para ele, “se o regime político instaurado em 1964 era popular e tinha apoio majoritário da população, porque diabos necessitou de mecanismos autoritários para se manter no poder”? E completa: “consideremos por um momento, apenas para construir raciocínio hipotético, que havia séria ameaça comunista e a intervenção militar visava defender a democracia contra o totalitarismo. Se assim fosse, qual a justificativa, então, para terem instalado uma ditadura e se aquartelarem no poder durante 21 anos? Porque não entregaram o poder aos civis depois de derrotada a ameaça comunista”? Em reportagens recentes, descobriu-se que os armamentos em posse das Ligas Camponesas e as infiltrações comunistas nas Forças Armadas nunca passaram de fantasia e que o golpe de 1964 ocorreu sem resistências. As lutas armadas só apareceram depois de instalada a ditadura e não antes dela.

A narrativa de ameaça ao comunismo ocorreu desde que o comunismo existe e, no Brasil, o anticomunismo se desenvolveu sob o manto de três ideologias: o catolicismo, o nacionalismo e o liberalismo, inserindo o mantra ideológico do bem contra o mal. Ocorre que uma revolução comunista em solo brasileiro sempre teve uma percepção exagerada, como na Intentona Comunista de 1935, que tem uma narrativa nos livros de editoras independentes e outra no livro publicado pela Biblioteca do Exército – Bibliex. Eu li as duas versões.

O início dessa história ocorreu com a “descoberta de um documento” que continha a intenção de instaurar a ditadura do Estado Novo. Trata-se de uma das maiores falsificações da nossa história, que foi fraudulentamente atribuída à Internacional Comunista, que planejava derrubar o governo Vargas por meio de manifestações públicas, greves e invasão e incêndio a prédios públicos. O documento foi preparado pelo capitão Olímpio Mourão Filho e entregue ao general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, Chefe do Estado-Maior do Exército. Anos depois, Mourão Filho confirmou a existência do documento e alegou ter respeitado a disciplina militar ao ficar em silêncio no golpe de Getúlio, em 1937.

Como herança do Plano Cohen, como ficou conhecido o falso documento, há 85 anos a institucionalização do anticomunismo serve como identidade dos militares brasileiros, inclusive atualmente, com os herdeiros de Sylvio Frota alimentando a ideia de que uma ditadura “temporária” pode servir como solução para nossas mazelas.

Para se ter uma ideia sobre um governo Marxista/Leninista, o único país do hemisfério sul, do ocidente, que adota esse tipo regime de governo, é Cuba e tal situação ocorreu após a Revolução Cubana, com os embargos econômicos impostos ao país pelos EUA. Ação e reação das adversidades, Fidel Castro se aproximou mais da União Soviética. A URSS ruiu e Cuba continuou com o mesmo regime de governo. Já na Venezuela, que é uma república federativa, o Partido Comunista da Venezuela – PCV, não faz parte do governo de Nicolás Maduro. Outros quatro países adotam o regime comunista no mundo: China, Coréia do Norte, Vietnã e Laos. Todos bem distante de nós.

Há uma frase bastante esclarecedora sobre Cuba, dita pelo frade franciscano, jornalista e escritor, Frei Beto. Ele diz: “se você for rico, Cuba é o inferno, se você for classe média, Cuba é o purgatório e se você for pobre, Cuba é o paraíso.

Em Mateus 22:21, disse Jesus: dai, pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Estão usando Deus para justificar o que estão dando a César. Esses são os foragidos de Deus, são as ovelhas perdidas. Quanto ao medo dos comunistas, há incoerências, pois existem comunistas que conheceram o capitalismo e hoje defendem o liberalismo econômico, inclusive como defensores do atual presidente da república.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.