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O CONSUMO OSTENTATÓRIO E A INTERNET

Por Marcos Dantas*

Desde as primeiras civilizações o consumo é uma prática adotada pelos indivíduos para a sobrevivência. A relação de troca de objetos e alimentos era costumeira quando o bem já não representava importância para uma comunidade, consequentemente, as pessoas pertencentes às sociedades primitivas conseguiam através do sistema de permuta os materiais indispensáveis para sobrevivência e conquista de objetos desejados.

Com o advento das relações de trocas mais sofisticadas através do dinheiro e o surgimento dos meios de comunicação de massa, a aquisição de bens materiais constituiu novos sentidos ao fenômeno social consumo. O ato de consumir passou a trazer arraigado muito mais do que apenas a compra de produtos por meio das trocas monetárias, revelando simbologias que outrora estavam intrínsecas nas primeiras comunidades, dentre elas, a luta por ascensão social e a distinção de classes através da ostentação.

A cultura material invadiu a maioria das sociedades tornando-as capitalistas, exercendo influência sobre os sujeitos através da padronização dos comportamentos sociais. Nesse aspecto, o consumo aparece como uma ferramenta indispensável para o “sucesso” do sistema econômico capitalismo ditando as regras sociais em vários países do mundo. Consumir tornou-se um ato de poder.

A internet exerce um papel fundamental para que a lógica do consumo exacerbado se perpetue entre as pessoas em sociedade. No âmbito virtual encontra-se de tudo: sites de lojas com boas ofertas, de todos os utensílios possíveis, serviços das mais variadas profissões através de perfis em redes sociais e publicidades realizadas através dos “influencers” digitais. Esses últimos são fenômenos que influenciam direta ou indiretamente o(a)s milhões de seguidore(a)s que acompanham diariamente o cotidiano, as viagens, as festas, o luxo e tudo o que o(a) propagado(a)r digital expõe.

Assistir a vida de influenciadore(a)s digitais nos seus perfis das redes sociais deixou de ser apenas uma distração qualquer, acredite: quem segue o(a)s “influencers” consome o conteúdo produzido pelo(a)s mesmo(a)s. Sim, as pessoas passaram não mais a expor apenas os produtos, elas se tornaram os produtos. Muitas delas são produtos de relevância, que trazem informações sociais, profissionais, de entretenimento, de saúde e espirituais muito interessantes.

Outros tantos milhares de perfis famosos na internet buscam o lucro através do consumo oferecendo cursos que vendem o impossível, instigando seguidores a qualquer custo investirem em plataformas que já levaram outras pessoas à falência e que utilizam da mais aprimorada falta de noção para entender que em um país em crise não se brinca com a vida financeira das pessoas.

É comum encontrarmos perfis de pessoas vivendo o luxo, ostentando em viagens caras, usando produtos extravagantes e indicando que esse padrão de vida foi conquistado com plataformas que prometem lucros absurdos, rápidos e garantidos. Através de golpes aplicados na internet muitas pessoas estão vivendo um padrão de vida ostentatório que foge à realidade da grande maioria da população brasileira.

Obviamente, muitas pessoas conseguem viver de forma honesta com o auxílio da internet e é necessário que saibamos distinguir os bons perfis daqueles que procuram vantagens financeiras de forma ilícita, incitando por meio de ostentação e luxo que pessoas inocentes sejam ludibriadas.

E você caro(a) leitor(a), “quem” consome na internet?

*Marcos Dantas – Estudante de Ciências Sociais UESC e Pesquisador em Socioantropologia do consumo.

1 comentário
  1. Magno Diz

    Para o ex presidente uruguaio Pepe Mujica: o mercado forma apenas consumidores, e não cidadãos. Somos a espécie que mais produz lixo, e consequentemente mais destrói o planeta. Esquecemos que a cada objeto comprado para o consumo, muitas da vezes desnecessário estamos gastando tempo de vida.
    O dia em que não tiver mais água; o dia em que não tiver mais peixes; o dia em que não tiver mais frutas, o homen vai perceber que seu dinheiro não valerá mais de nada, pois não terá mais o que comprar. Será um canibal de si mesmo, consumindo sua própria ignorância.

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