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O FUTEBOL E A ATITUDE DE IGNORAR A PANDEMIA

Por Marcos Dantas*

Não é novidade que o Brasil acumula recordes de infectados e mortos em decorrência da pandemia causada pelo vírus da Covid-19. Todas as áreas que compõem a cultura sofreram e sofrem com as normas adotadas pelos governos na tentativa de contenção do avanço do contágio no país, como por exemplo, os eventos de entretenimento.

O futebol para o(a)s brasileiro(a)s funciona como uma espécie de religião e não há como negar: temos o DNA desse esporte em nossas vidas, afinal, quem nunca torceu pela seleção brasileira nas copas do mundo? Sim, a maior parte das pessoas que vivem no Brasil já colocaram suas emoções na torcida para algum time de futebol e vários são os nomes brasileiros que encantaram e encantam o mundo com as bolas nos pés.

Esse esporte sofreu os primeiros impactos da pandemia ao ser praticado sem receber o público nos estádios, torcedores que apoiam e depositam, de certa forma, um pouco de felicidade em meio a tanto caos que se vive desde antes da pandemia. O futebol serve como um alento às lutas que o(a) brasileiro(a) trava todos os dias para sobreviver.

Entretanto, torna-se inconcebível entender como as representações do futebol – CBF, confederações estaduais e jogadores – estão alheias a tudo que a pandemia tem provocado no Brasil. É estarrecedor que um esporte de contato que envolve diretamente 25 pessoas em um campo, a arbitragem está nessa conta, seja praticado como se nada estivesse acontecendo nos leitos dos hospitais brasileiros.

Os cartolas brasileiros aceitam e incentivam as decisões da CBF que lança a própria sorte a vida de jogadores, árbitros e seus familiares expostos a um vírus extremamente perigoso e mortal. Outra peculiaridade que se deve observar é a neutralidade dos jogadores – trato aqui dos esportistas da grife do futebol brasileiro – e a capacidade de manter um silêncio descabível com o intuito de não se comprometerem com opiniões que podem atingir o meio político.

Acompanhamos aglomerações provocadas pelas torcidas que estão impedidas de assistirem “in loco” os jogos, mas que não perdem a oportunidade de se reunirem em bares e nas portas dos estádios para incentivarem os jogadores que representam seus clubes de coração.

O simbólico “um minuto de silêncio” antes de cada jogo é o único ato de respeito que o mundo futebolístico demonstra para com as pessoas que tiveram suas vidas ceifadas pelo vírus da Covid-19, o que representa pouco diante de um esporte que há muito já desenvolveu consciência política, ajudou necessitados com jogos beneficentes e trouxe muita alegria social e esportiva.

*Marcos Dantas – Estudante de Ciências Sociais e pesquisador em socioantropologia do consumo – UESC.

2 Comentários
  1. Magno Diz

    Infelizmente muitos desses jogadores são reféns de sua própria ignorância. Não possuem consciência social, nem tampouco senso crítico. Poucos são politizados. Já foi o tempo de um Sócrates… E hoje mais ainda com o futebol cada vez mais produto do capital, os cartolas aproveitam dessas marionetes para enriqueceram mais ainda!

  2. Maria Luyse Diz

    Disse tudo!

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