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O LEMA DO INTEGRALISMO DE VOLTA À CENA POLÍTICA

Por José Cássio Varjão

Somos um grupo formado por trabalhadores, cristãos, pais e mães de famílias, que tem Deus, Pátria e Família como princípios.
Após uma viagem à Itália em 1930, o jornalista, escritor e político Plínio Salgado, conheceu e entrevistou Benito Mussolini, ficando impressionado com os ideais políticos defendidos pelo líder fascista e pelo cenário próspero que a Itália vivia.

No contexto do surgimento de regimes autoritários na Europa, em 7 de outubro de 1932, nasce a AIB – Ação Integralista Brasileira, um grupo de intelectuais e simpatizantes com aspirações fascistas, que defendia o nacionalismo, o corporativismo e o tradicionalismo religioso. Combatia os valores liberais e o socialismo e se diferenciava do fascismo italiano e do nazismo alemão, por abnegar a segregação racial. O lema da organização era: Deus, Pátria e Família. Se tornou partido político em 1934 e foi extinto por Getúlio Vargas, em dezembro de 1937.

Após o comício de João Goulart na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, quando defendeu reformas de base do seu governo, organizações femininas compostas por mulheres das classes média e alta das sociedades paulistana e carioca, financiadas e organizadas por um poderoso aparato da elite empresarial e militar, foram para as ruas em protesto no dia 19 de março de 1964. A CAMDE (Campanha da Mulher pela Democracia) era a instituição que representava as mulheres cariocas e a UCF (União Cívica Feminina) e o MAF (Movimento de Arregimentação Feminina), representavam as paulistanas e tinham o papel de influenciar a opinião pública contra o governo de João Goulart. Essa ação se chamou: “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”.

A historiadora Solange Simões no livro, Deus, Pátria e Família: As mulheres no golpe de 1964, revela que: “a inclusão das mulheres na conspiração que resultou no golpe foi estratégica. Com a intenção de criar um clima de desestabilização política e convencer as Forças Armadas a intervir, as campanhas femininas buscavam dar legitimidade e espontaneidade ao golpe, tendo sido as mulheres encarregadas, “pelos homens”, de estimular a população”. Dentre os “homens” que participaram desse processo estavam: Carlos Lacerda, governador do Estado do Rio de Janeiro; Ademar de Barros, governador do Estado de São Paulo; e Auro de Moura Andrade, Presidente do Senado Federal.

Em 01 de outubro de 2020, numa reunião com prefeitos no interior de Pernambuco, Jair Bolsonaro evocou pela primeira vez o lema do Integralismo, quando disse: “vamos escolher gente que tenha Deus no coração, que tenha na alma o patriotismo e queira a liberdade e o bem do próximo. Deus, Pátria e Família”, concluiu.

Mudam-se os atores, mas o roteiro continua o mesmo, sem nenhuma originalidade. Criam uma camada de fino brilho, um verniz de aparente legalidade para obter apoio da opinião pública. Pela terceira vez em nossa história, colocam Deus no centro do espectro político, usando formadores de opinião, como religiosos, artistas e apresentadores de televisão, com o objetivo de cooptar os menos esclarecidos e pessoas de boa fé.

O preconceito difundido diariamente pelo ocupante do Palácio do Planalto, em hipótese alguma tem conexão com o culto a algum Deus ou com princípios basilares de quaisquer religiões, como respeito à diversidade e o exercício da tolerância. Chamar de idiota quem fala em comprar feijão e exaltar quem compra fuzil, pode ter vínculo com a pátria imaginária de alguns, mas não com Deus, nem com a família ou mesmo com o lema dos Integralistas. Que cristão é esse que em vez de construir pontes, constrói muros ou, em vez de seguir os passos Jesus, tira foto armado estimulando a violência?

O primeiro parágrafo desse texto, é um banner que circula nas redes socias utilizando o lema do Integralismo, como se fosse uma frase da onda bolsonarista e um exercício diário deles. Parafraseando Martin Luther King: “o que me preocupa não é o que os maus cristãos pregam ou fazem, mas a aceitação e o silêncio dos bons cristãos”.

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