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OS NOVENTA E UM ANOS DE SOANE NAZARÉ DE ANDRADE

Por Renée Albagli Nogueira

No dia 5 de agosto de 2021, Soane Nazaré de Andrade completa noventa e um anos. É com muito orgulho que me dirijo à sociedade regional e à comunidade acadêmica da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) para registrar homenagem a um dos maiores baluartes da implantação da Educação Superior na Região Sul da Bahia.

Falar de Soane Nazaré de Andrade e de sua importância para a Educação é um dever cívico para com as gerações futuras. Sua trajetória como educador teve início em 1960, com a criação da Faculdade de Direito de Ilhéus, sendo o seu primeiro Diretor. Participaram dessa luta: Amilton Ignácio de Castro, Francolino Gonçalves Queiroz Neto, Jorge Weill Fialho e José Cândido de Carvalho Filho.

Nesse mesmo ano de 1960, foi criada a Faculdade de Filosofia de Itabuna, por iniciativa de Dona Amélia Tavares Amado, reunindo figuras expressivas da Educação itabunense. Só em 1970 foi criada a Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna.

Convidado por José Haroldo Castro Vieira, então Secretário Geral da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), Soane Nazaré de Andrade recebeu a incumbência de liderar a implantação da Federação das Escolas Superiores de Ilhéus, que teve o seu funcionamento aprovado pelo Conselho Federal de Educação (CFE), mediante Processo CFE 4.989/73.

Em uma sala cedida pela CEPLAC, Soane Nazaré de Andrade liderou uma Comissão responsável pela elaboração do Projeto a ser submetido ao CFE. Integraram essa Comissão: Flávio José Simões Costa, Manoel Simeão da Silva, Valdelice Soares Pinheiro, Helena dos Anjos, Rosalina Molfi de Lima e Erito Francisco Machado.

As três Faculdades – Faculdade de Direito de Ilhéus, Faculdade de Filosofia de Itabuna e a Faculdade de Ciências Econômicas de Itabuna – foram então reunidas na Federação de Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna (FESPI).

Instalado o Campus, em 1974 foi realizado o primeiro vestibular, sob a coordenação dos Professores José Formigli Rebouças, Henrique Campos Simões e Maria de Lourdes Neto Simões.

Já na Coordenação Pedagógica da FESPI, Soane Nazaré de Andrade foi assessorado pelas Professoras Enilda Lordello e Litza Mary Modesto Câmera.

A FESPI passou a funcionar sob a égide de uma fundação de direito privado, a Fundação Santa Cruz (FUSC), sendo seu presidente o Professor Erito Francisco Machado.

A FUSC era mantida, prioritariamente, pela CEPLAC e pelas anuidades estudantis. Na gestão de Soane Nazaré de Andrade, as primeiras edificações do Campus foram realizadas pela CEPLAC, cujos recursos, oriundos da cacauicultura, destinavam-se ao desenvolvimento regional.

Soane Nazaré de Andrade atribuiu às primeiras edificações da FESPI uma homenagem a dois grandes escritores brasileiros do Século XX: Jorge Amado e Adonias Filho. Posteriormente, foi construída a Torre Administrativa, e a esse edifício de seis andares foi dado o nome de José Haroldo de Castro Vieira. Foi uma justa homenagem, considerando os relevantes serviços prestados à Região Sul da Bahia.

Todos esses atos foram referendados democraticamente pelo Conselho Superior da FUSC, onde tinham assento os três dirigentes das Unidades Federadas.

A FESPI tinha localidade na Zona da Mata Atlântica, de grande importância para a preservação da cacauicultura, o que lhe assegurou, entre as universidades brasileiras, uma singularidade na sua vocação acadêmica: observar cientificamente o equilíbrio entre a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento regional. Soma-se a isso a importância de se manter como um Centro de Biotecnologia, associando-se à sua vocação cultural, enriquecida pela sua área de influência no sítio do descobrimento e na rica literatura regional.

Consciente dessa potencialidade de inserção regional, a FESPI sempre teve como ideal maior transformar-se em uma Universidade.

Por Soane Nazaré de Andrade foi pensada a bandeira da FESPI/UESC e o Hino da Universidade Estadual de Santa Cruz. Estas feições específicas lhe asseguram a sua identidade como Universidade.

Soane Nazaré de Andrade dirigiu a FESPI de 1974 a 1985. Durante todo o período Carmem Dolores Vieira Passos foi sua secretária.

No ano de 1982 foi instalada a Associação Profissional dos Professores Universitários de Ilhéus e Itabuna (APRUNI), sendo o seu primeiro presidente o Professor Joaquim Bastos da Silva. Nesse mesmo ano, em virtude das vicissitudes do ensino privado, surgem as primeiras mobilizações para a estatização da FESPI/UESC. Assim, a APRUNI liderou a comunidade acadêmica e as representações regionais, encaminhando ao então Governador do Estado, em 30 de agosto de 1982, a pretensão de estatização da FESPI/UESC.

Em 1984, perto da conclusão do seu mandato como Diretor Geral da FESPI, por iniciativa da comunidade acadêmica em documento encaminhado ao Conselho Superior da FUSC, foi aprovado atribuir-se ao Campus da FESPI/UESC o nome de Campus Professor Soane Nazaré de Andrade.

É nesse Campus que repousam os sonhos de centenas de professores, que, em gerações sucessivas, não só atuam nos fins da universidade: ensino, pesquisa e extensão, mas o fazem com competência e idealismo.

Neste dia 5 de agosto de 2021, do alto dos seus noventa e um anos, Soane Nazaré de Andrade acompanha os desafios e a grandiosidade da caminhada vitoriosa da FESPI/UESC, responsável pela educação de várias gerações de jovens da região, do estado, do país e até do exterior.

Para Soane Nazaré de Andrade, o pensamento de Henfil: “Se não houver frutos, valeu a beleza das flores; se não houver flores, valeu a sombra das folhas; se não houver folhas, valeu a intenção da semente”.

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