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PIRÂMIDE FINANCEIRA: UM MODELO DE NEGÓCIO QUE NÃO SE SUSTENTA E VISA O GOLPE

Por Roberto José*

Vivemos em uma sociedade líquida, como diria o sociólogo Bauman, em que o consumo é estimulado a cada momento nos mais diversos meios de comunicação u nas vivencias, é o consumo pelo consumo, é o consumo como forma de pertencimento, o consumo por fetiche, que dá ideia que nos tornará iguais, o poder mágico do objeto a ser consumido; um carro bacana com uma linda família dentro, um apartamento, roupas da moda e de marcas, celular, etc.

Nesse contexto de sociedade de consumo, a ganância, a ambição, a cobiça, a avidez, a cupidez, o desejo pelo lucro ávido e exagerado, surge a denominada PIRÂMIDE FINANCEIRA, com nomes já conhecidos da população (TELEX FREE, BBOM, D9, TPS CLUB, entre outros), atrai interessados em dinheiro fácil, mediante o mínimo esforço e em pouco tempo. Com o mesmo poder de sedução do velho golpe do bilhete premiado, atividades deste tipo guardam peculiaridades. Sua duração é limitada, o produto oferecido tem pouca relevância ou é oferecido fora de valor de mercado, a propaganda é feita por meio de reuniões e treinamentos servem para impressionar, seduzir pelo “canto da sereia”, hipnotizar os potenciais interessados, tocando em sua fraqueza – pecado capital, a ganância.

Quem de fato ganha nas pirâmides financeiras? O topo da pirâmide, ou seja, os líderes e gerentes, que agem objetivando atrair mais gente, inicialmente pagando certo dividendo para atrair mais e mais, para robustecer a base da pirâmide, ou seja, os incautos que investirão mais e mais. Num segundo momento, eles farão dificuldades nos saques dos dividendos e incentivarão o reinvestimento para “aumentar o lucro” e a atração de mais investidores, pois o objetivo geral de uma pirâmide financeira é de fato o golpe, perpetrado pelos estelionatários.

Dessa forma, à medida que a pirâmide caminha, numa projeção geométrica, é que um número muito maior de pessoas vai perder alguma coisa porque a corrente sempre se rompe, tonando insustentável o negocio, vez que o crescimento é tão grande, que alguns casos ficam quase do tamanho da população de uma cidade. É só crescer mais um pouco e vai ser devastador. Assim, há cálculos do cadastramento de mais de cinquenta mil pessoas nas pirâmides recentes nesta terra grapiúna.

Essa prática de pirâmide financeira é enquadrada como um crime contra a economia popular, conduta de tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos constitui crime contra a economia popular, previsto no Artigo 2º, Inciso IX, da lei 1.521 de 1951, cuja essência se constitui num método de captação de recursos voltado para ludibriar eventuais incautos mediante a promessa de ganho fácil que jamais se concretizará, a não ser em benefício daquele que encabeça o grupo. Além do crime contra economia popular, aventa-se a hipótese de estelionato, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

Por fim, o melhor investimento a ser feito é aquele que tem por base a geração de emprego e renda. Quer ganhar dinheiro? Tem que suar muito, invista seu capital num negócio, que na ótica de Marx, é o resultado do trabalho assalariado e não meramente especulativo e faça nossa cidade e região desenvolver economicamente.

*Policial Civil, Tutor da Rede de Ensino da SENASP e Ministério da Justiça, Geógrafo, Especialista em Planejamento de Cidades, Mestre em Geografia com ênfase em criminologia de ambientes, Especialista em Engenharia de Tráfego e Graduando em Direito.

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