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POLÍTICA (IN)CIVILIZADA

Por Leléu Rodrigues

Pretendo estar vivo para presenciar a mudança radical nos moldes de fazer política no Brasil, em especial na minha cidade Itabuna, aliás, aqui principalmente.

Fazer política no passado, o modelo era dos coronéis. Um pouquinho depois, o modelo evoluiu e passou a ser dos caciques, e agora, na era da tecnologia, redes sociais e dificuldades financeiras, o modelo declinou e vergonhosamente passou a ser de quem dá mais.

Se fizermos um trabalho de regressão mental ou moral, é possível que muita gente vá dizer que sente saudade do tempo em que o coronel ficava na varanda do casarão, sentado numa cadeira de balanço, charuto cubano na boca, enquanto as pessoas, normalmente aquelas menos esclarecidas, chegavam e se dirigiam à ele perguntando o seguinte: Coroné, nóis vai vortar em quem? E com apenas um tom, ele falava o seu preferido, e todos cumpriam à risca o voto no seu indicado.

Já no tempo dos caciques, não muito distante desse que estamos vivendo, normalmente eles estavam no poder ocupando cargos eletivos, a exemplo de prefeito, deputado, senador ou governador, e em períodos eleitorais, eles apareciam com as suas comitivas, enquanto os seus representantes na cidade mobilizavam o maior número de possível de votantes, todos obedientes, e se aglomeravam numa praça pública em comícios para ouvirem o que seu cacique iria falar, deixando a todos e a todas encantados e convencidos para quem votar.

Nos dias atuais, os obedientes se rebelaram e ninguém mais obedece ou pergunta em quem votar. Não são todos, mas a grande maioria agora vota por conveniência, e em lugar de perguntarem em quem votar, querem saber o preço, quanto vão pagar pelo seu voto ou o que vão lhe oferecer em troca.

Mesmo diante de um quadro de conveniência explicita e descarada, ainda assim não adianta fechar negócio com antecedência, pois receberá o voto aquele candidato que pagar a última pinga, ou seja, que fechar negócio na noite anterior à eleição ou no momento da boca de urna.

Imaginem todos que nos velhos tempos a gente reclamava dos coronéis e dos caciques, bastava que não fosse do lado de um deles. Nos dias de hoje, até parece que tudo mudou, mas é engano, tudo continua como antes, apenas o método está diferente, já que são poucos os que saem das suas casas para votar por dever cívico e obrigação eleitoral.

Lamentavelmente a maioria não vota no candidato melhor e mais capacitado, mas sim, vota no cara que é legal, que é parceiro e porque pagou uma cerveja ou disse que vai arranjar um emprego.

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