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Estudo

ESTUDANTES CRIAM POMADA QUE AUXILIA NO TRATAMENTO PARA CÂNCER DE PELE

Há mais de 5 mil anos a Aloe Vera, popularmente conhecida pelos brasileiros como Babosa, vem sendo usada para tratamentos estéticos industrializados ou caseiros. O que poucos sabem é que para além de estética, a planta também é usada para meios medicinais. Esse potencial da babosa fez com que estudantes do Colégio Estadual Duque de Caxias, da cidade de Barreiras, no Oeste da Bahia, buscassem, com sucesso, formas de utilizar a planta em um tratamento para o câncer de pele, além de cicatrização de queimaduras.
 
Os estudos começaram em julho de 2020, remotamente, durante a pandemia da Covid-19, como forma e incentivo de continuar as rotinas de aprendizado mesmo longe da sala de aula. As jovens estudantes estão desenvolvendo uma pomada, denominada como Babosa Famosa, que irá auxiliar no tratamento do câncer de pele e na cicatrização de queimaduras do primeiro ao terceiro grau. Por esta pesquisa, o projeto está entre os finalistas da 19ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada na Universidade de São Paulo (USP).
 
De acordo com a estudante do 3º ano do Ensino Médio, Sabrina Bomfim, o produto é um meio de inclusão social por ter a base de uma planta que é facilmente encontrada no Brasil. “Escolhemos a babosa pela riqueza em benefícios medicinais que proporcionam relaxamento e acelera a cura de problemas na pele, devido ela ser uma planta de fácil acesso, o que irá beneficiar a população de baixa renda, pois, será um medicamento de baixo custo”, afirmou, destacando que o projeto está em fase de desenvolvimento e busca por parcerias com laboratórios para a realização de mais testes.
Sabrina contou que o experimento, inicialmente, ganhou o incentivo do projeto Meninas nas Ciências, que é coordenado pela Universidade Federal Do Oeste da Bahia. “A nossa escola está no núcleo de desenvolvimento de pesquisas, que tem por objetivo a inserção de meninas no campo da pesquisa e extensão”, afirmou a estudante. Além de Sabrina, outra estudante da mesma escola, Cecília Leitão, também faz parte do projeto.
 
A professora das alunas, Stefani Laira Ferreira, diz que esses projetos estimulam a carreira dos jovens em entrar na vida acadêmica após a conclusão do ensino médio. “É de suma importância fomentar a pesquisa e extensão desde a Educação Básica, e que os produtos gerados por essas jovens pesquisadoras possa gerar o estímulo pelo fazer ciência, atrelando essas pesquisas à melhoria da qualidade de vida, incentivo de toda a comunidade escolar, fortalecendo o poder transformador que uma educação de qualidade pode gerar, principalmente no sentimento de pertencimento e geração de sonhos que esses projetos podem desenvolver”, afirmou Stefani.
 
Bahia Faz Ciência
 
A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros.
 

As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria e da Fundação. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail [email protected].

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ITABUNA: RENDA DOS CINCO BAIRROS MAIS RICOS É IGUAL A DOS 35 MAIS POBRES, APONTA ESTUDO

Por Ely Izidro

Os cinco bairros mais ricos de Itabuna têm renda pessoal de 74,5% do total da cidade, segundo dados dos setores censitários do Censo de 2010. O levantamento mostra que os 35 bairros de menor renda de Itabuna juntos somam o mesmo percentual obtido pelos 5 bairros mais ricos. Dessa forma, pode se afirmar que apenas 5,35% da população se apropria de 37,4% da renda pessoal total da cidade.

Conforme verificado pelos Pesquisadores Ricardo Candéa, Eli Izidro e Ícaro Célio, em um estudo publicado pela Revista Bahia Análise & Dados, volume 28, número 2.2018, intitulado “MEDINDO A POBREZA MULTIDIMENSIONAL EM ITABUNA”: uma análise espacial”, parte da má distribuição de renda na cidade tende a se refletir espacialmente nos bairros de Itabuna, pois a decisão de onde residir está fortemente condicionada à renda, disponibilização de serviços públicos como: educação, saúde, transporte, saneamento básico, segurança, oportunidade de emprego, dentre outros aspectos.

De acordo com os pesquisadores, foi realizado o mapeamento de 47 bairros de Itabuna, com base em dados dos setores censitários do IBGE, 2010 e o Zildolândia, bairro mais rico da cidade, tem uma renda média 31,7 vezes (R$ 2.126,98) maior que a do Nova Califórnia (R$ 67,07), que ocupa o último lugar (47ª colocação).

O estudo identificou ainda a existência de uma forte concentração espacial da renda média pessoal em Itabuna. Para os pesquisadores, essa elevada acumulação da renda, a médio e longo prazo, pode ocasionar, dentre outros problemas, a potencialização de tensões sociais, culminando com o aumento da violência, assim como maiores transtornos de mobilidade urbana, já que é natural o movimento de pessoas de bairros muitos pobres para bairros de nível de renda mais elevado em busca de oportunidades de emprego, por exemplo.

Destaca ainda os autores do estudo, que para além da desigualdade de renda que é muito significativa, temos também um grande contingente populacional com fortes privações, de diversas ordens, como o acesso a saúde, educação, transporte e condições domiciliares, o que agrava ainda mais as condições de pobreza de Itabuna.

Quando se analisa as dimensões que compõem os índices de pobreza no estudo, Figura 1, é possível verificar que a educação é a dimensão que apresenta a maior contribuição absoluta para formação da Pobreza nos bairros de Itabuna, com uma contribuição média relativa igual a 47%, seguido das dimensões habitação e saneamento com 30%, renda com 14%, segurança pública com 7% e saúde com 2%.

Figura 1: Contribuição absoluta e relativa média das dimensões da pobreza na composição do IP nos Bairros Itabuna/2010. Fonte: Elaboração própria a partir dos dados dos setores censitários do IBGE (2010).

É fragmentando ainda mais o estudo, conforme, Figura 2, é possível perceber o comportamento de cada privação, como cada uma das privações contribui para formação das dimensões e, consequentemente, para composição do Índice Pobreza. Neste sentido, verifica-se que a privação que apresenta a maior contribuição relativa média é a falta de esgoto tratado, um dos problemas críticos da cidade de Itabuna, com 24%. Na sequência, têm-se a privação sem instrução, com 19% de contribuição, seguida das privações: cinco moradores ou mais com 15%, sem coleta de lixo com 14%, sem energia elétrica com 9% e sem água potável com 8%.

Chama atenção os pesquisadores, que estas quatro privações, mais a falta de esgoto e a privação “paredes inadequadas” com 3% de contribuição, todas fazem parte da dimensão Habitação/saneamento, o que justifica esta ser a segunda dimensão que mais impacta na composição da Pobreza multidimensional. Para além disso, percebe-se que a renda, mesmo sendo um fator importante para geração da desigualdade no município, contribui apenas com 5%, à frente da taxa de homicídio com 2% e a privação sem unidades de saúde com 1% de contribuição. Isto indica que os estudos de pobreza, assim como, as políticas públicas, realmente necessitam inserir outras variáveis não econômicas nos estudos, para entender e aliviar essa anomalia nos bairros de Itabuna.

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados dos setores censitários do IBGE (2010).
Figura 2: Contribuição relativa média das privações da pobreza na composição do IP nos Bairros de Itabuna/2010.

Para os autores do estudo, os resultados da pesquisa podem fundamentar sugestões de formulação de políticas públicas, na medida que permitem a identificação de necessidades prioritárias. Por exemplo, os resultados apontam para a otimização dos gastos públicos, apontando que deve ser priorizado políticas que envolvam o mercado de trabalho (renda) e ampliação do comércio local, criação de postos de saúde e principalmente implementação de melhorias na educação, com políticas específicas contra o analfabetismo nas localidades mais carentes de Itabuna.

É importante destacar também, que a dimensão Habitação e Saneamento – entendida por eles como acesso à água potável, disponibilidade de serviços de limpeza, iluminação elétrica e rede de esgoto – apresentou um peso substancial na composição do Índice de Pobreza. Portanto, sugere-se que a mesma deva ser um elemento prioritário das políticas de combate à pobreza, pois a ideia é que o incremento de seu nível, tende a gerar melhores condições de vida para a população e com isso reduzir as disparidades entre ricos e pobres. Mais informações sobre o estudo podem ser obtidas na Bahia.

Análise & Dados, disponível  AQUI

Também é possível tirar outras dúvidas sobre o estudo através do telefone (73) 98809-9879. Leia mais...