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Laís Lins

O “GOLPE” DAS PERFEIÇÕES EM REDE SOCIAL

O “golpe” está na ilusão de separação. Na fantasia de que fotos postadas de partes do cotidiano, devidamente escolhidas e editadas, representam de fato a vida daquela pessoa. E mesmo que represente a vida dessa pessoa, seria justo comprar com a sua própria vida?

Essa é a ilusão que as redes sociais nos fazem cair e que carregamos indiretamente para nossas próprias vidas. O recorte feito milimetricamente para ser postado nas redes é exatamente isso, um recorte. Um pequeno pedaço do todo. Uma parte pequena e caprichada que fazemos questão de vez ou outra expor para uma plateia.

A falta dessa consciência de estarmos vendo recortes e não o todo causa certo incômodo a algumas pessoas.

Vejo o quanto ainda comparamos uma vida de recortes da rede social, daquela pessoa influente, com a nossa própria.

As comparações não cessam em aparências, mas também em estilos de vida, comidas, exercícios, relacionamentos, moradias e tudo o que for possível que envolva a vida humana. Aqueles feeds perfeitos que combinam cores e fotos.

Daí surgem as comparações. Comparamos nossa aparência, nossos companheiros e companheiras, nossa forma de vestir, falar, escrever, brincar, distrair, relaxar, beber, tudo! E chega aquela famosa insatisfação. Nada está perfeito como o feed do coleguinha.

A aparente perfeição das redes é isso. Uma capa ilusória que disfarça as dificuldades da vida real. Uma maquiagem bem feita para cobrir imperfeições da pele queimada do sol e das rugas de expressão, realçar o olhar já cansado, afinar o nariz que não respira mais como antes e disfarçar as olheiras das noites mal dormidas.

Não nos satisfazemos mais com o que temos e partimos em busca de mudança. Mas essa necessidade surgiu de uma insatisfação interna, daquela inquietação saudável que nos move rumo ao nosso crescimento, ou surgiu das comparações feitas nas redes?

Inspirar-se não é comparar-se. A inspiração requer que admiremos o outro em sua singularidade e cativemos em nós o desejo de nos parecer, a nossa maneira, com aquela pessoa. Admirar o outro e a si, pois somos, também, fonte de inspiração.

*Laís Lins é Psicóloga com abordagem da Terapia Cognitivo Comportamental e dos Esquemas. Leia mais...

PORQUE PRECISAMOS COMBATER A PSICOFOBIA?

Dia 12 de abril é considerado o dia Nacional de Enfrentamento à Psicofobia. Você já ouviu este termo antes?

O termo Psicofobia foi criado pela Associação Brasileira de Psiquiatria para nomear o preconceito enfrentado por muitas pessoas que tem transtornos mentais e deficiência mental. Essa data foi escolhida como homenagem a uma personalidade pública, o ator e comediante Chico Anízio, que em vida falava abertamente sobre sua depressão e dos benefícios do tratamento adequado. 12 de abril é a data de seu aniversário.

Mas por que é tão importante esse combate? Segundo pesquisas da Organização Pan-Americana de Saúde, 1 bilhão de pessoas são afetadas por transtornos psicológicos como: depressão, TEA ( Transtorno do Espectro Autista), TAB ( Transtorno Afetivo Bipolar), Esquizofrenia, Demência, entre tantos outros. Além disso, estima-se que 800 mil pessoas por ano cometam suicídio. E, segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, 1 a cada 4 pessoas pode desenvolver um transtorno mental ao longo da vida.

Mesmo com números tão altos, os transtornos e deficiências mentais ainda são pouco discutidos e defronta-se com o desconhecimento do senso comum, que frequentemente minimizam os sintomas dessas pessoas através de comentários como: “se esforce mais”, “é falta de algo importante para fazer”, “é falta de uma boa educação” (no caso de crianças especialmente).

Porém, não se trata de um querer, um desejo da pessoa ter um Transtorno. Como vêm demonstrando a ciência, os transtornos mentais possuem causas multifatoriais, de bases genéticas, meio social, histórico de vida, e comportamento. É uma mistura desses fatores que podem desencadear o transtorno e /ou a deficiência.

O preconceito e a preocupação com as críticas podem impedir ou atrapalhar a pessoa que enfrenta as dificuldades de um transtorno e/ou deficiência, ou tem um parente ou familiar nessas condições, de buscar tratamento adequado e viver uma vida funcional e de qualidade. Por isso, é tão importante que falemos abertamente sobre o tema e busquemos caminhos para compreender melhor o universo do outro. Ajudar sem julgar. Buscar conhecimento adequado e atendimento especializado. O sofrimento mental é tão doloroso quanto qualquer outro.

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MUDAR COMPORTAMENTO É POSSÍVEL?

A mudança de comportamento – aqui falo de comportamento em um contexto geral que implica pensamentos, ações, formas de se relacionar – pode parecer difícil ou até impossível para alguns, ou somente possível quando acontece alguma crise em nossas vidas que exija tal alteração. Porém, mesmo na crise, pode ser que não façamos as alterações necessárias para termos atitudes mais assertivas e saudáveis.

Atualmente, o mundo tem passado por uma crise que vêm solicitando de todos nós modificações. Mas, mesmo que a pandemia afete a todos, as mudanças acontecem individualmente com cada um. Dependendo da situação de vida e da capacidade e disponibilidade interna para fazer com que a mudança aconteça. Portanto, a motivação é sempre interna e independe do querer do outro.

Mudar nosso comportamento exige esforço, que vai desde a intenção, quando ainda estamos nos preparando para mudar, até os reforços que teremos que fazer para poder manter os novos padrões.

Assim, por a responsabilidade da dificuldade que possuímos de flexibilização cognitiva em nossa personalidade ou “gênio forte” serve para disfarçar a nossa comodidade em fazer algo diferente. Nos aprisionando em impossibilidades. Mas, não é por querer. Fomos nos construindo como pessoas ao longo dos anos por nossas relações, nosso temperamento e criando os reforçadores necessários para nos manter nesses mesmos padrões de pensamento e comportamento.

Ousar com nossas impossibilidades é o que deveríamos fazer. Porque só repetir padrões de comportamento que estamos habituados é confortável e seguro, mas estaciona nossa evolução.

Se aventurar no novo é difícil, contudo é o que nos faz crescer. A mudança no caminho, o sorriso onde de costume estaria o grito ou a lágrima, um momento de silêncio onde antes estaria a discussão, isso nos faz conhecer de fato um pouco mais quem somos e vislumbrar alternativas ainda melhores.

Se eu quiser realmente me conhecer e me sentir bem comigo mesma, onde quer que eu esteja eu preciso ir além. Para evoluir é preciso deixar o conforto do que conheço e me aventurar por novos trajetos. É isso que me impulsiona. Nada de perfeição, somente aperfeiçoamento.

Como diz o professor e filósofo Mário Sérgio Cortella, “Aquilo que já é sabido não passa de mera redundância. Aquilo que não sei é o que vai me fazer crescer”.

*Psicóloga com abordagem da Terapia Cognitivo Comportamental e dos Esquemas

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