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TEMA 2024 DO DESFILE DO BLOCO AFRO ENCANTARTE CAUSA SURPRESA AO SEU FUNDADOR, EGNALDO FRANÇA

Dizem que, quando um carnaval termina, já se começa a pensar no carnaval do ano seguinte. É assim no Rio de Janeiro e em São Paulo com os blocos e as escolas de samba; em Recife e Olinda, com os blocos de frevo; na Bahia, em Salvador principalmente, com a maior festa de rua do mundo, o nosso carnaval, genuinamente identitário desta região do país.

Se o tempo é curto para tantas providências, essa máxima não seria diferente em se tratando do Carnaval Cultural de Itabuna, que tem como seu ponto de culminância a tradicional Lavagem do Beco do Fuxico que, neste ano de 2024, acontece em sua 43ª edição, com a participação dos blocos mais antigos e tradicionais da cidade, entre eles, na linhagem dos blocos que se surgiram à luz das culturas periférica, negra e com o apelo das raízes africanas, o Bloco Afro Encantarte, advindo do Grupo Encantarte, fundado por Egnaldo França e atualmente presidido por sua esposa, Jaqueline de Paula Santos.

Desde que foi criado, ano após ano, o bloco inspira o seu desfile num tema específico: uma homenagem a alguma personalidade; ou a alguém que entrou para a história da cidade, da Bahia ou do Brasil; ou ainda o tema pode se configurar numa provocação social que, para além do entretenimento, faça as pessoas refletirem sobre.

Para o ano de 2024, o tema seria “Maria Felipa de Oliveira”, a rigor das comemorações dos 200 anos da Independência do Brasil na Bahia, demarcados no ano passado. Maria Felipa foi a escrava liberta que enfrentou as tropas militares portuguesas em tentativa de invasão do território nacional em águas baianas e que, a frente, encontraram-na disposta a matar e a morrer pela liberdade do povo brasileiro. E ela morreu como uma das grandes heroínas dessa passagem importante da História do Brasil.

Tema escolhido, hora de compor letra, figurinos, repertório, batidas de percussão, coreografias. Tudo coordenado atentamente pelo fundador Egnaldo França.

Só que todo mundo sabia, menos ele. Na quarta-feira do dia 22 de novembro de 2023, último dia da estreia do espetáculo de dança “Cidade Cor: A Gente Que Sobe a Ladeira”, final da apresentação, o Grupo Encantarte revela ao seu fundador que o tema do desfile do bloco afro, neste ano, não será “Maria Felipa”, e sim, “Egnaldo França: O Menino Que Subiu a Ladeira”, numa justa homenagem que o bloco faz ao seu fundador, que, de fato, de ladeira em ladeira, de subida a subida, de descida a descida, nunca desistiu dos próprios ideais, transformou a própria história e a de muitos outros jovens nas regiões dos bairros Maria Pinheiro, São Pedro e Pedro Jerônimo, seja pela dança, pela percussão, pela música, pelo curso Pré-Afro Encantarte (preparatório para o ENEM e vestibulares) ou pelo bloco afro que traz um colorido maravilhoso à Lavagem do Beco, em Itabuna.

Dali para a frente, tudo a (re)planejar: biografia do homenageado, letra da música principal, alas, cores das camisas, ensaios que já estão acontecendo desde o início de dezembro na Concha Acústica do Centro de Cultura Adonias Filho, quase que diariamente, planejamento, planejamento e mais planejamento. Tudo no ritmo de um relógio que faz o tempo correr num tempo menor que o necessário para que tudo fique pronto. Fique lindo! À altura do seu precursor.

E o Bloco Afro Encantarte está aí, pela primeira vez indo para as ruas da cidade com o apoio do Governo do Estado da Bahia, através do Edital Carnaval Ouro Negro Interior, lançado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult), um pleito que, há anos, vinha sendo perseguido pelo Egnaldo França, especialmente como presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Itabuna (CMPCI) e que, em 2024, se transformou em mais uma meta alcançada, com a participação ativa de vários outros grupos de cultura do estado e especialmente do Fórum dos Agentes Culturais do Sul da Bahia (FAEG Sul).

Então, é isso. Quer conhecer Egnaldo (ou “Guigui França”, como muitos o chamam)? Então, é hora de subir a ladeira da Rua Mariá Ferreira e acompanhar de perto o Bloco Afro Encantarte, no Carnaval Cultural de Itabuna, neste homenagem que chega ao seu fundador como um cafuné que se faz na alma de quem sempre se colocou para o outro como se colocasse para si próprio.

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