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TEORIAS DA ESCOLHA DO VOTO I

Por José Cássio Varjão

A política não é apenas algo que envolve manifestações públicas, discursos e eleições. Ela está em cada ato que praticamos, na forma com que lidamos com as pessoas e em todas as oportunidades que defendemos um ponto de vista. A Política não é distinta de nós, sendo uma ação que conduz nossa existência coletiva, refletindo imediatamente sobre a nossa existência individual.

Quando o voto perde sua efetividade, como instrumento de manifestação, o eleitor passa a se sentir impotente, deixando de participar do pleito. Frequentemente, encontramos pessoas inconformadas com as ações dos agentes políticos e, em época de eleições, dizem que irão votar em branco ou anular o voto. Ora, se no momento que lhe é facultado o direito de se manifestar politicamente, você se abstém da sua responsabilidade, está agindo como um sujeito conservador, aquele que não vê necessidade de mudanças. Falta-lhe a consciência do significado e do seu papel como cidadão.

A Teoria Psicossocial, que procura na psicologia uma relação entre a posição social do eleitor e seu comportamento político, foi elaborada por pesquisadores da Universidade de Michigan, com o trabalho “The American Voter”, estabelecendo “uma nova metodologia de pesquisa sobre o comportamento eleitoral, identifica quatro tipos ideais de posicionamento político: os engajados, que se encontram ativamente na esfera política; os anômicos, que não encontram seus lugares na esfera política; os impotentes, que não percebem função prática na política e; os rebeldes, que procuram destruir o sistema para substituí-lo por outro”.

Já para a Teoria da Escolha Racional, que se contrapõe à escola de Michigan, a preferência do eleitor está baseada na perspectiva micro do individualismo metodológico. Defende que “o eleitor toma duas decisões relacionadas entre si: participar ou não do processo eleitoral. Em caso positivo o voto é definido em função de um cálculo de custo-benefício, sendo os valores e a ideologia mais genéricos considerados quase irrelevantes para a ação eleitoral. O eleitor só toma uma decisão quando o benefício em votar em determinado partido ou candidato é maior que o custo dessa ação”. Assim, o exercício do voto é visto como algo eminentemente instrumental e utilizado com uma finalidade estratégica.

A manipulação de votos na história do Brasil foi uma prática corriqueira, com a chamada “política dos governadores” e tinha na troca de favores a base que sustentou a permanência dos mesmos políticos e partidos no poder durante anos. Assim, garantindo os votos para que determinado político fosse eleito, os coronéis criavam os CURRAIS ELEITORAIS, usando várias técnicas para forçar os votos, o chamado Voto de Cabresto, incluindo a violência física. Todo tipo de assistencialismo era oferecido e para ter certeza que voto de cabresto, como era chamada essa prática, seria cumprido, os jagunços eram mandados para fiscalizar os eleitores no dia da eleição. Na Bahia, o símbolo do coronelismo e da manipulação de votos, foi Horácio de Matos, que era proprietário de extensas áreas territoriais na Chapada Diamantina e tinha um verdadeiro exército de jagunços à sua disposição. Detalhe, o voto era aberto.

Essa era nossa realidade, mas, nos dias atuais, os expedientes são outros. Vivemos num ambiente no qual, nunca, na história da humanidade, tantas informações são produzidas e, a maioria delas, com o objetivo de influenciar a população com algo negativo, como as frequentes “fake news” ou notícias falsas. Um mix mental de informações oriundas, principalmente, das mídias sociais, que, de alguma forma, confunde o eleitor com seu poder persuasivo.

Um fato importante é que nem todos os eleitores tem o mesmo nível de interesse político e isso ratifica a posição daqueles atraídos pelo escrutínio, que tendem a exercer maiores influências, com apelos personalistas e carismáticos sobre os que dão menos importância aos processos eleitorais. Eleitores com baixo grau de interesse na política são facilmente cooptados, principalmente por pessoas que gozam de prestígio político e melhores posições sociais.

O Brasil tem dois sistemas eleitorais: o majoritário, para eleger os representantes aos cargos do Poder Executivo (presidente, governador e prefeito) e também ao Senado; e o proporcional, de lista aberta, para eleger os representantes para os cargos do Legislativo (deputados federais, estaduais e vereadores). Citarei aqui duas peculiaridades do nosso sistema eleitoral: a magnitude, que é muito extensa, quando comparada a outros países e a quantidade de partidos, a maior entre as grandes democracias do mundo, dificultando, sobremaneira, a governabilidade do eleito. A fragmentação partidária no Brasil só é menor que Israel, Bélgica e Líbano.

Os distritos eleitorais, para os candidatos a vereador, correspondem as divisas territoriais do município que ele habita e, a dos candidatos a deputado estadual e deputado federal, correspondem às divisas territoriais do estado. A magnitude eleitoral corresponde ao tamanho dos distritos eleitorais.

Nas eleições de 2014 e 2018, solicitei nas 27ª e 28ª Zonas Eleitorais de Itabuna um relatório com a votação de todos os candidatos a deputado estadual e federal, que obtiveram votos no município. Nas duas eleições, inacreditáveis 1.100 pessoas (média das duas eleições), entre estaduais e federais, tiveram pelo menos 1 (um) voto no município de Itabuna.

A Assembleia Legislativa da Bahia tem sessenta e três deputados e a Câmara dos Deputados, tem trinta e nove representantes da Bahia. Itabuna, a maior cidade da região cacaueira da Bahia, com 214 mil habitantes, não tem um representante nem na ALBA e nem na Câmara Federal. A alta fragmentação partidária contribui para isso, com absoluta certeza, mas não eleger ninguém, num eleitorado de cento e dez mil votos, isso deve ser observado.

Fragmentação partidária também pode ser percebida nas eleições majoritárias do município. Em 2016, nove candidatos concorreram no pleito e em 2020 aumentou para onze candidatos concorrendo ao Centro Administrativo Firmino Alves. Existiram onze projetos para administrar Itabuna ou onze desejos pessoais? Um governo de coalizão sempre terá a governabilidade comprometida. Nessas mesmas eleições, a Câmara de Vereadores renovou a Casa em 2/3, nada menos que quatorze vereadores foram preteridos pela população.

Todo eleitor faz escolhas porque tem capacidade limitada para acúmulo de informações sobre política, um limite de conhecimento sobre as ações políticas e limite na capacidade de relacionar as ações do governo e seu cotidiano. No continuum entre os eleitores bem informados e os não informados, está o eleitor medianamente informado, o voto volátil, que pode estar de um lado hoje e do outro lado amanhã.

O modelo de eleitor bem informado sobre política analisa o candidato, fazendo algumas inquirições: Quais são as características do meu candidato? Qual o grau de credibilidade do meu candidato? Qual a capacidade de liderança do meu candidato para implementar políticas públicas?

Dia desses enviei para uma pessoa um texto sobre política e ela me respondeu que era muito extenso, que quando virasse novela, assistiria. Outro caso aconteceu em 2014, nas eleições presidenciais. Numa visita de Aécio Neves a Itabuna, ouvi de uma pessoa que votaria nele, porque era um “homem lindo”. No primeiro caso, a decisão deu pouca relevância a um assunto político e, no segundo caso, a escolha foi afetiva. Devemos ter consciência da importância do nosso voto, do poder de decisão dele. Não deveremos votar em amigo, parente ou vizinho, se ele não tiver capacidade para desempenhar as funções a ele delegadas. O voto é pessoal, mas as consequências do seu voto, são coletivas.

O cidadão comum enxerga a política com uma visão superficial, decide seu voto, às vezes, por razões afetivas, outras vezes por critérios subjetivos e emocionais, procurando atalhos para decidir em quem votar. Bem distante dos profissionais que trabalham com as explicações das causas e dos fenômenos políticos, determinando, em primeiro lugar o que é ciência e o que é política, para, assim, distinguir científico de não científico e atividade política de outras formas de atividade.

A cidade que vota predominantemente de forma retrospectiva, que pune o desempenho dos governantes e que nunca reelegeu um prefeito, precisa agir. A cidade que conhecemos hoje está atada em algum lugar do passado.

1 comentário
  1. Ivan cumial de oliveira Diz

    Perfeito!!!

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